S. Paulo – O motoboy negro, Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, 30 anos (foto), pode ter sido torturado e morto por soldados da 1ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar de S. Paulo, no dia 09 de abril passado. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da PM, depois da denúncia veiculada pelo repórter César Tralli, na edição do Jornal Nacional desta quinta-feira, 22/abril.
O corpo de Eduardo foi encontrado por volta da 0h do dia 10 na esquina da Rua Voluntários da Pátria com a Avenida Brás Leme, na Zona Norte de S. Paulo. Poucas horas antes, por volta das 20h50 do dia 09, ele estava com mais quatro amigos abordados por PMs, chamados para apartar uma briga provocada por suposto roubo de bicicleta na esquina da Rua Maria Curupati com a Avenida Casa Verde, também na Zona Norte.
Todos foram levados até a Companhia da PM e, segundo testemunhas, Eduardo foi levado para um canto do quartel, onde teria sido brutalmente espancado. Os outros três envolvidos na ocorrência foram liberados.
Testemunha
Uma dessas pessoas – um homem que aparece na reportagem com o rosto encoberto – disse a Tralli ter visto policiais espancá-lo. “Ele gritava pelo amor de Deus, gritava pela mãe dele, tá doendo não precisa fazer isso. Ele apanhou muito. Não queria tá na pele dele”, afirma a testemunha.
Posteriormente – a 0h do dia 10 – Eduardo foi encontrado na esquina da Rua Voluntários da Pátria com a Avenida Brás Leme, Zona Norte e levado ao Pronto Socorro, onde chegou praticamente morto com traumatismo craniano, sangramento pelo nariz e ferimentos no joelho esquerdo, conforme atesta o laudo médico.
O Departamento de Homicídios da Polícia Civil está convencido de que Eduardo foi assassinado. A delegada da Polícia Civil, Elisabete Sato, disse acreditar que os PMs fizeram uma simulação. “Nós acreditamos que o Eduardo tenha falecido na Companhia e foi abandonado na rua para mascarar a ocorrência anterior”, afirma.
Apuração
A Corregedoria da PM de S. Paulo anunciou a abertura de um Inquérito Policial Militar para apurar a participação dos soldados da 1ª Companhia que estavam de serviço no dia 09 de abril e está pedindo apoio de eventuais testemunhas que tenham visto ou filmado a morte do rapaz.
Em Nota Oficial divulgada no final da tarde, o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, informou ter determinado que “as polícias Militar e Civil façam a mais rigorosa apuração dos fatos, na esfera administrativa e na esfera penal.” ” A Secretaria da Segurança do Estado de São Paulo não compactua com este tipo de procedimento, que considera abominável.”
O porta-voz da Corregedoria da PM, major Reinaldo Zychan, disse que “a PM não compactua com esse tipo de procedimento”. “A PM se pauta pela legalidade e pelo respeito aos direitos humanos. Inclusive solicitamos que se alguém tiver informação ou imagem que possa auxiliar que traga à Corregedoria”, acrescentou.

Da Redacao