Brasília – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) anunciou o fim das ações relacionadas à Raça e Gênero e demitiu a oficial do projeto, Diva Moreira, militante histórica do Movimento Negro que estava sediada no escritório de Salvador, na Bahia. Além de Diva outros membros da equipe foram exonerados pelo Programa.
A decisão formalizada em reunião no dia 13 de setembro, segundo lideranças negras, representa um retrocesso em relação a forma como o PNUD vinha tratando a questão de raça e de gênero e pode indicar uma mudança de foco das políticas relacionadas a população negra dos organismos multilaterais.
A exoneração de Diva Moreira foi precedida de pressões por parte da chefe do Escritório do PNUD, em Salvador. Durante meses a decisão foi omitida e Diva foi submetida, uma profissional conhecida e respeitada em todo o país, foi submetida a humilhações e constrangimentos.
Indignados com a posição da direção do PNUD, militantes e dirigentes de entidades negras de todo o país estão se mobilizando num Manifesto para exigir explicações. “Se alguns poucos pontos que conseguimos são devidos justamente a acordos e protocolos internacionais que têm balizado nossas reivindicações políticas, levando o nome da ONU e de outros organismos internacionais, o que dizer, agora, que um órgão das Nações Unidas, que tem como mandato central o combate à pobreza, suprime, no Brasil, os temas onde a pobreza se concentra de modo majoritário?”, pergunta o Manifesto.
O documento termina exigindo que a posição seja revista. “Não vamos permitir que além dos embates internos que temos de enfrentar, fiquemos agora à mercê de organismos internacionais que – devendo zelar pelos Direitos Humanos – afirmam seu descaso e omissão por assuntos que deveriam ser prioridade de sua missão em um país racista e sexista como o Brasil”, conclui.
Entre as entidades que assinam o documento estão A Mulherada, de Salvador, a Associação da Anemia Falciforme do Estado de S. Paulo, a Cojira do Rio de Janeiro, o Centro de Referência da Mulher Negra de Minas Gerais, a Fala Preta, a ONG ABC sem Racismo, Afropress, Geledés, Foórum Goiano de Mulheres, o Núcleo de Estudantes Cotistas da UFBA, Espaço Lélia Gonzáles, Ministério Afro da Igreja Metodista, e personalidades como o sociólogo cubano, Carlos Moore, o jornalista Miro Nunes, a médica Fátima Oliveira, e Fernanda Pompeu, Sandra Bonadeus, Tainá Felippe Garcia e Lia Lopes Almeida.

Da Redacao