Praia Grande/SP – O poeta Felipe Arruda Nascimento, 21 anos, uma das revelações da nova poesia brasileira, é um dos finalistas do Prêmio Literário Maria Firmina de Literatura, promovido pela Casa de Cultura e Produtora Cultura A/Borda, de Belo Horizonte, com apoio da Festa Literária das Periferias (FLUP). O anúncio dos vencedores acontece neste sábado, 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.

Ele concorre na categoria Poema que reúne autores(as) autopublicados(as) e publicados (as) por editoras, com o livro “O lado sensacional da vida é o meu – O livro dos mortos”, lançado em 2019 pela editora Patuá.

O Prêmio Maria Firmina tem como objetivo combater o apagamento e o silenciamento histórico que atinge autores negros e procura abrir espaço para a literatura negra, contribuindo para fazer com que a palavra se constitua em ação que transforma, resgata, fomenta, recria e, principalmente, constrói.

Na  categoria Poema, Felipe disputa com Anderson Severiano Gomes, Elisa Maria da Silva Mattos, Henrique Marques Samyn, Jéssica Campos e Solange Soares Santos de Paula.

A Casa de Cultura e Produtora Cultural A/Borda que organiza o prêmio nasceu na região do Barreiro, periferia de Belo Horizonte, Minas Gerais e foi criada a partir de atividades sociais e culturais desenvolvidas com o Coletivoz. Trabalha para a valorização e distribuição da cultural local, incidindo para alavancar as diversas artes das periferias e pequenas ocupações urbanas.

Maria Firmina dos Reis foi uma escritora e educadora maranhense nascida na Ilha de São Luiz em 11 de março de 1.822 e morta em 11 de novembro de 1.917, aos 95 anos.

É autora do primeiro romance de uma escritora no Brasil – Úrsula – publicado em 1.859, em pleno regime de trabalho escravo. Em 1.887 publicou na Revista Maranhense o conto “A Escrava”, na qual se descreve como participante ativa da causa abolicionista.

Um trabalhador da cultura marcado pela raça e pela classe

Em entrevista a Afropress, de quem é colunista colaborador, Felipe Nascimento falou da expectativa com o Prêmio e disse que pretende continuar fazendo literatura e contribuindo para o fortalecimento das pequenas editoras com as quais se identifica pelo papel que exercem de abrir espaço para autores novos. “A expectativa que a gente tem é vencer. Mas que vença o melhor ou a melhor, já que metade dos finalistas na minha categoria são mulheres”.

Ele cursa o segundo ano de Letras, no Instituto Federal de São Paulo – campus Cubatão e pequisa Teoria Literária sobre Cordel. A inspiração para a pesquisa sobre cordel – do período medieval aos dias de hoje – vem do seu tio avô – o poeta popular e cordelista Alfredo Vieira dos Santos, o Agulhão do Mar, morto em fevereiro deste ano aos 88 anos. Leitor ávido de poetas como Carlos Drumond, Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Vladimir Maiskóvski e do alemão Bertold Brecht, Felipe se considera influenciado por todos eles.

Para Felipe, o atual momento, sob um governo de extrema direita negacionista e em meio a uma pandemia que já matou mais de 610 mil brasileiros, é sombrio. “Para nós que somos negros e indígenas é um momento muito complicado, uma vez que tudo o que está acontecendo no país acaba recaindo sobre a maioria. Os indígenas estão vendo suas terras invadidas. Estão passando a boiada. É a maioria da população que está sofrendo com as políticas de agora”, acrescentou.

Essa situação, claro, acaba se refletindo no que escreve. “Eu me defino como um afrodescendente, preto. Tenho orgulho das minhas raízes. Me considero um trabalhador da cultura, marcado pela raça e pela classe”, enfatiza.