Porto Alegre/RS – A família do menor J.M.O.R, de 12 anos, constrangido e humilhado por uma segurança do supermercado BIG/Carrefour da avenida Sertório, em Porto Alegre, ao ser tomado por suspeito do roubo de mercadorias na loja, concederá entrevista nesta quarta feira (23/02) para anunciar as medidas que serão tomadas visando o acompanhamento do Inquérito Policial e na Justiça.

Veja:

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/02/23/policia-investiga-abordagem-a-menino-negro-expulso-de-supermercado-em-porto-alegre-enquanto-fazia-compras.ghtml

A entrevista está marcada para às 14h no Quilombo dos Machado (Rua Rocco Aloise 1.000), no Bairro Sarandi. A Polícia já instaurou Inquérito 60/2.022, que tramita na Delegacia de Combate à Intolerância. Também já foram pedidas as imagens das câmeras de segurança e a relação de funcionários que estavam em serviço para serem ouvidos.

CONSTRANGIMENTO E HUMILHAÇÃO

O caso ocorreu na quarta-feira, 02 de fevereiro, quando o garoto, cuja família é moradora do Quilombo dos Machado, foi até a loja com uma lista de compras e um cartão de crédito a mando da mãe. Como portava uma mochila foi obrigado por uma segurança de nome Kátia a abrí-la na presença das pessoas presentes e, em seguida, expulso da loja. Antes de entrar ele havia consultado outro segurança se poderia portar a mochila, sendo autorizado a fazê-lo.

A criança ainda tentou argumentar: “A senhora não quer que eu passe no caixa para a senhora ver que eu não vou roubar nada?”, disse mostrando a lista de compras e o cartão de crédito da mãe. Nada adiantou: foi expulso na frente das pessoas que entravam e saíam da loja.

O BIG foi adquirido pelo Carrefour Brasil, unidade local da gigante francesa de varejo, por cerca de R$ 7,5 bilhões (US$ 1,36 bilhão de dólares). O processo de compra está sendo finalizado com a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – autarquia que regula o setor e a quem cabe a aprovação final do negócio.

Segundo o advogado Onir Araújo, constituído pela família, o supermercado, num primeiro momento, procurou a família para pedir desculpas informando que a empresa queria conversar e fazer acordo. Numa das muitas ligações ele próprio atendeu e informou que a família se dispunha ao diálogo. A pessoa encarregada da interlocução com a família, porém, não voltou mais a ligar, depois de informar que daria uma posição até a última segunda-feira.

O pai da criança, Tarciso Rosa, já disse que o chefe da segurança admitiu ter visto as imagens das câmeras mostrando a atitude agressiva da segurança na abordagem.  A funcionária, de acordo com informações, teria sido demitida sem justa causa.

BIG/CARREFOUR

Depois da denúncia, (https://www.afropress.com/seguranca-de-carrefour-big-de-poa-humilha-e-expulsa-menor-negro/, a empresa Oliver Press, especializada em estratégias de assessoria de imprensa, relações públicas e comunicação corporativa, encarregada pela Relações Públicas do Carrefour, entrou em contato para explicar que “Carrefour Brasil e BIG não são ainda a mesma empresa”.

Confira a Nota:

Em despacho assinado nesta segunda-feira (24/01), a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) remeteu para análise do Tribunal da autarquia a aquisição da totalidade das ações de emissão do Grupo Big Brasil pelo Atacadão, afiliada brasileira do Grupo Carrefour, recomendando que o negócio seja aprovado mediante a adoção de remédio negociado com as empresas, que mitiga riscos concorrenciais decorrentes da operação.

De acordo com o parecer da SG/Cade, as empresas envolvidas no negócio são atualmente concorrentes em três mercados: comércio varejista de autosserviço (envolvendo Supermercado, Hipermercado, Atacarejos e Clubes de Compras); atacado de distribuição de produtos primordialmente alimentícios e outros bens; e revenda de combustíveis no varejo.

A análise realizada pela Superintendência demonstra que, em um cenário pós-operação, o ato de concentração não tem potencial de gerar preocupações concorrenciais nos mercados de atacado de distribuição e de postos de combustíveis.

Com relação ao setor de varejo de autosserviço, após avaliar a rivalidade exercida por outras empresas remanescentes e a entrada de novos concorrentes, a SG/Cade afastou riscos concorrenciais na maioria dos mercados relevantes.

Contudo, para uma pequena parcela de mercados envolvidos nesse setor, não foram verificados elementos suficientes para descartar a probabilidade de exercício de poder de mercado por parte das empresas envolvidas no negócio, mesmo após avaliação de possíveis eficiências que pudessem compensar os efeitos negativos decorrentes da operação.

Assim, para mitigar os problemas concorrenciais identificados na análise do ato de concentração, a SG/Cade negociou com as partes um Acordo em Controle de Concentrações (ACC) por meio do qual estão previstos remédios estruturais e comportamentais.

A proposta de ACC prevê o desinvestimento de algumas unidades de varejo de autosserviço, além de compromissos comportamentais relacionados à não-concorrência e à manutenção da viabilidade econômica das unidades desinvestidas até a efetiva transferência dos negócios.

Para a SG/Cade, o acordo negociado com as empresas é adequado para preservar a concorrência no mercado. O caso agora será avaliado pelo Tribunal do Cade, responsável pela decisão final. As conclusões da SG/Cade não são vinculativas.

O Cade dispõe de até 240 dias, prorrogáveis por mais 90, para concluir a apreciação de atos de concentração. O prazo legal para conclusão da análise da operação envolvendo o Grupo BIG passou a contar a partir de 12 de julho de 2021.

Link para acesso: https://www.gov.br/cade/pt-br/assuntos/noticias/tribunal-do-cade-analisara-aquisicao-do-grupo-big-brasil-pelo-carrefour.

APROVAÇÃO

A Superintendência Geral do órgão, porém, já recomendou ao tribunal da autarquia a aprovação da compra, apenas condicionando-a à venda de unidades.O Carrefour Brasil, que está no país desde 1975, opera 489 lojas e teve R$ 74,7 bilhões em vendas no ano passado. Em 2020, ano em que seguranças de uma loja de Porto Alegre mataram a pancadas o soldador João Alberto Silveira Freitas, teve lucro líquido de R$ 2,7 bilhões, e crescimento de 43% em relação a 2019.