Alfenas/MG – A Polícia de Alfenas, cidade de 90 mil habitantes situada no sul de Minas, ainda não identificou a pessoa que, na madrugada do último sábado (16/04) atacou a sede do Núcleo de Consciência Negra (NCNA), na Rua Adolfo Engel, no Jardim Elite, e pichou a frase racista “Núcleo de Macacos”.

O ataque ocorrido por volta das 2 horas da madrugada, aconteceu 5 dias depois do lançamento do documentário que celebra a luta dos negros do sul de Minas contra o racismo e por igualdade, patrocinado pela Universidade de Alfenas. Veja o trailler do documentário na TV Afropress – https://youtu.be/g_S7QmQVKAU

O caso foi registrado na Delegacia de Polícia em Boletim de Ocorrência que servirá de base para a instauração do Inquérito Policial. A denúncia também foi feita na Coordenadoria da Igualdade Racial do Município, e nas Secretarias da Ação Social e de Defesa Social.

Combate ao racismo

Segundo o ativista Fábio Cruz, que é coordenador da Igualdade Racial de Alfenas, não foi por coincidência que o ataque aconteceu cinco dias após o lançamento do documentário.

“Esta ocorrência serve para que possamos nos unir e, principalmente, dar força e campo de visão aos que diáriamente são tratados como invisíveis. A intolerância de alguns e falta de respeito destes em não aceitar que vivemos em um país que deveria ser verdadeiramente laico e respeitador de todas as classes e etnias é que faz com que o Núcleo de Consciência de Alfenas, ao invés de se abater, se fortaleça para que aqueles que não conseguem enxergar que ainda no Brasil existe uma grande lacuna social e cultural com os pretos e pardos”, afirmou.

De acordo com Fábio Cruz, Alfenas, tem uma população negra (preta e parda) estimada em 33%, porém, os 14 municípios existentes no seu entorno os negros representam 67% da população.

"A luta de resistencia cultural e social do povo preto aqui no sul de Minas já ocorre em minha familia há 26 anos, e o fato de estarmos entrando e colocando jovens em locais que antes eles não transitavam, faz com que os racistas fiquem indignados com isso. Jamais nos calaremos, jamais pararemos. Todas as formas de manifestações preconceituosas são apenas base para que nos fortaleçamos e nos dá argumentos para continuarmos nossa missão”, acrescentou.

O ativista e gestor disse que espera as conclusões da investigação e que a Justiça prevaleça com a identificação e punição do agressor ou dos agressores.

Da Redacao