Diadema/SP – O segurança Valdir Rodrigues Rocha, 48 anos, foi agredido pelo empresário Rinaldo Dini, da empresa Metalzilo Industrial Ltda., metalúrgica localizada no Jardim Campanário em Diadema, cidade da região do ABC paulista, com palavras de conotação racista e demitido sumariamente da empresa em que trabalhava – a Skill Mão de Obra Especializada Ltada. “Seu negro porteirinho de merda. Todos os porteiros que a Skil manda prá cá são negros porteirinhos de merda”, gritou Dini, segundo o relato do segurança.
O caso aconteceu no dia 18 de março deste ano, porém, só agora se tornou público porque Rocha, além de registrar Boletim de Ocorrência por injúria racial, decidiu entrar com ação por danos morais contra o empresário e constituiu o advogado Dojival Vieira para defendê-lo. O crime de injúria racial está previsto no parágrafo 3º do art. 140 do Código Penal e prevê penas de até 3 anos de prisão.
O Boletim de Ocorrência provocou a instauração do Inquérito 190/2012, pelo delegado Marcos Dario da Silva, titular do 3º DP. O empresário ainda deve ser ouvido.
Demissão
Além da agressão, o segurança perdeu o posto de trabalho e, posteriormente, foi demitido pela Skill, sem justa causa. Ele permanece desempregado e contou que passa dificuldades para sustentar a família.
“Desde que isso aconteceu não consigo emprego. Sou trabalhador e tenho uma família para sustentar”, afirmou, acrescentando temer que o seu nome esteja vetado nas empresas nas quais procura emprego por ter denunciado o agressor à Polícia.
Rocha disse que até hoje não se conforma com a agressão gratuita que sofreu. “Eu estava no meu posto. Como fazia muito calor naquele dia, saí da guarita que é fechada e não tem ventilação nenhuma e fiquei em frente. Foi o bastante para que o dono da empresa investisse contra mim me chamando “seu negro, porteirinho de merda”. Ele acrescenta que a agressão foi testemunhada por um colega.
Abalado, Rocha acrescenta que o empresário pareceria totalmente descontrolado e que de nada adiantou a tentativa dele argumentar que apenas havia se afastado um minuto para ficar em frente da cabine fechada por não suportar o calor que fazia no seu interior. “Eu só pude pegar as minhas roupas”, lembra.

Da Redacao