Rio – O assassinato pela pela Polícia carioca dos cinco jovens negros que haviam combinado comemorar o primeiro salário de um deles, continua causando intensa revolta não apenas na família, mas no bairro de Costa Barros, zona norte do Rio, onde o crime aconteceu na madrugada de domingo (29/11).

Os jovens – Wilton Esteves Domingos Júnior, 20, Roberto de Souza Penha, 16, Wesley Castro Rodrigues, 25, Cleiton Corrêa de Souza, 18, e Carlos Eduardo da Silva de Souza, 16 – foram fuzilados quando o veículo em que estavam foi atingido por mais de 50 tiros de fuzil disparados pelos policiais. A Polícia os teria confundido com bandidos.

No enterro que aconteceu nesta segunda-feira (30/11), a tia de Wilton pediu Justiça. “Acabaram com a nossa vida. Será que esses policiais não têm filhos, não têm mãe? Eles não deixaram socorrer", disse Érica Esteves Domingos.

Execução

O caso aconteceu na madrugada de domingo (29/11), quando Júnior se encontrava em um pálio com os amigos. As famílias decidiram que entrarão com ação de indenização por danos morais contra o Estado em conjunto. Os corpos foram enterrados no Cemitério de Irajá.

“Foi uma execução. Mataram o meu filho e todos os colegas que estavam com ele. Eu fui ao Parque Madureira com os meninos e passei pelo local dez minutos antes, e pouco depois os policiais fazem uma desgraça dessas”, disse aos prantos, Jorge Roberto Lima da Penha, pai de Roberto.

Segundo testemunhas os policiais confundiram os meninos com bandidos que estariam fazendo escolta de um camnhão com carga de bebidas, roubado na Avenida Brasil.

A revolta da população diante do fuzilamento fez com que o governador Pezão e o secretário José Mariano Beltrame determinassem a prisão dos policiais militares Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos, Antonio Carlos Gonçalves (por homicídio doloso e fraude processual) e Fabio Pizza Oliveira da Silva (fraude processual).

Os policais foram presos logo após o crime e levados para o Batalhão Especial Prisional (BEP), em Niterói, na região metropolitana, ainda na tarde de domingo. O comandante do 41º Batalhão, tenente coronel Marcos Netto, foi exonerado do cargo pelo comando da PM também por determinação do governador Pezão.

 

Da Redacao