Piracicaba/SP – A Polícia de Piracicaba, por intermédio da Delegacia de Defesa da Mulher, vai abrir Inquérito Policial para investigar se houve erro médico no caso da lavadeira Paula Cristina Conceição Silva, de 36 anos. A lavadeira, que é negra, sofreu fratura no punho em um acidente de carro em outubro passado e se encontra no momento em estado semi-vegetativo.
Boletim de Ocorrência pedindo a apuração foi registrado pela mãe de Paula, dona Maria Aparecida da Conceição Silva, de 56 anos. Segundo ela, a filha foi transferida do Centro de Ortopedia e Traumatologia para o Hospital dos Fornecedores de Cana, para se submeter a uma cirurgia, entrou apenas com a dor no ante-braço e hoje, segundo os médicos, está em estado semi-vegetativo.
Investigação
“Nós só queremos descobrir o que aconteceu e saber de quem é a culpa. Minha filha era trabalhadora e tem quatro filhos. Um deles, de 18 anos, teve paralisia cerebral na infância. Eu não tenho como cuidar de todos, como vou fazer?”, afirma Maria, que é aposentada.
O caso também na Justiça, onde tramita desde o dia 21 de novembro do ano passado, na 5ª Vara Cível da cidade, processo de indenização contra o Hospital.
“Já se passaram quatro meses e nada ainda foi feito. Imagina se ela tiver que ir para casa. Como pago uma cama adaptada, uma cadeira de rodas e tudo que ela vai precisar? Não tenho dinheiro, infelizmente. Não tenho como arcar com isso”, conta Maria, que diz ter ouvido dos médicos que a filha iria ficar paraplégica
A assessoria de imprensa do Hospital Fornecedores de Cana afirmou que o caso está sendo analisado e que nesta quinta-feira (2) passará mais informações sobre a posição da entidade.
Segundo Fátima Aparecida Eugênio, ativista do Movimento Negro de Piracicaba, que está acompanhando o caso e visitou a lavadeira na semana passada, Paula não tem nenhum movimento no corpo e suas mãos estão retorcidas.
Em depoimento a delegada Monalisa Fernandes dos Santos, Fátima afirmou ter ouvido dos médicos que “Paula está com o cérebro paralisado dos dois lados e que não ouve”. “A família tem o direito de saber o que aconteceu e exige Justiça!”, afirmou Fátima.

Da Redacao