Brasília – As Polícias Federal e Civil de Brasília já tem os nomes de três suspeitos do atentado praticado contra estudantes africanos da Universidade de Brasília (UnB), na madrugada de quarta-feira (28/03). Os três são estudantes da Universidade, vizinhos dos africanos na Casa do Estudante Universitário, no Bloco B, na Asa Norte.
Os nomes estão sendo mantidos, por enquanto, em sigilo para não atrapalhar as investigações e também porque é possível que haja outros envolvidos na gangue racista que atacou os africanos, enquanto dormiam.
Ontem, o estudante Adilson Fernandes Indi, da Guiné Bissau, contou a Afropress os momentos de pânico e terror que viveu com colegas, ao perceber que as portas dos apartamentos tinham sido incendiadas.
“Foi tudo espontâneo pra mim. Ninguém esperava. Estávamos dormindo, quando de repente ouvi a explosão. Eu acordei porque estava com sono leve. Vi chamas na porta toda e a fumaça invadiu a sala onde eu dormia”, contou.
Ele disse que a primeira providência foi chamar os colegas para dar o aviso de que tinham botado fogo nos apartamentos. “Eu pulei a janela, chamei o segurança. Foi uma coisa permitida e bem feita porque eles tinham desativado os extintores. Depois chegou a Polícia e os bombeiros”, acrescentou.
Indi e mais 16 colegas, da Guiné Bissau, da Nigéria e do Senegal estão alojados provisoriamente em um hotel da Asa Norte, cujo nome não foi revelado por razões de segurança. As despesas estão sendo bancadas pela Universidade, segundo garantiu o reitor Timothy Mullholand, mas eles não sabem até quando vão ficar.
Apesar de todos ainda estarem chocados com a violência, Indi, aluno do Curso de Sociologia, disse que ninguém pensa em desistir. “Agente tem um objetivo. Alguns estão em fase final. Só voltamos ao final do curso”, acrescentou. Ele disse que os colegas já tranqüilizaram os familiares nos seus países e agradeceu a solidariedade. “A solidariedade foi muito grande de colegas da Faculdade e dos movimentos estudantis negros. Nos deram grande apoio”.
Suspeitos
Os criminosos racistas que praticaram o atentado na Casa do Estudante Universitário são, muito provavelmente, vizinhos dos estudantes porque os dois seguranças que trabalham no prédio, não viram movimento de ninguém estranho.
As suspeitas recaem sobre um grupo de alunos que, em outras oportunidades, já havia hostilizado os africanos, com comentários racistas. A reitoria da UnB tinha conhecimento de que o grupo costumava fazer comentários de caráter racista e xenófobo contra a presença dos africanos na UnB e nos alojamentos da Casa do Estudante.

Da Redacao