Porto Alegre/RS – A Polícia Civil do Rio Grande do Sul conclui até esta sexta-feira (04/dezembro), o inquérito que apura o assassinato do soldador João Alberto Silveira de Freitas, o Beto Freitas, 40 anos, espancado até a morte por seguranças do Carrefour, na véspera do Dia da Consciência Negra, 19 de novembro.

A delegada Roberta Bertoldo, responsável pelas investigações, deve indiciar como responsáveis pelo homicídio, os dois seguranças do Carrefour Giovane Gaspar da Silva, policial da Brigada Militar, Magno Braz Borges, segurança, e mais a funcionária Adriana Alves Dutra, que filmou a sessão de espancamento pelos seguranças. Os responsáveis pelo homicídio continuam em prisão preventiva, inclusive, a funcionária.

O brigadiano que aparece desferindo socos na cabeça de Beto foi ouvido por quatro horas na última sexta-feira e disse que não tinha intenção de matar a vítima.

Concluído o inquérito, o Ministério Público deve oferecer denúncia contra os três por homicídio triplamente qualificado por motivo fútil, uso de meio cruel e de recurso que dificultou a defesa da vítima. As penas previstas no Código Penal, em caso de condenação são de, no mínimo, 30 anos de reclusão

Governo censura EBC

Enquanto o inquérito não é concluído, depoimentos colhidos pela Polícia nas investigações mostram a vítima como alguém problemático e criador de caso. Esse tipo de versão contribui para a narrativa que acaba por justificar, no censo comum, o assassinato de Beto.

A tentativa de abafar o caso também tem tido a ajuda do Governo Federal que impôs censura a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), sobre o assassinato nas redes sociais da Agência Brasil.

Também faz parte da "Operação Abafa"  promovida pelo Carrefour, a criação de um Comitê de Diversidade com a participação de lideranças e celebridades e sub-celebridades do movimento negro.

Após o assassinato de Beto Freitas, o vice-presidente da República Hamilton Mourão disse que não existe racismo no Brasil. Um dia após os primeiros protestos em resposta ao crime ocorrido no Carrefour de Porto Alegre, o presidente Jair Bolsonaro, sem mencionar o episódio nominalmente, afirmou que "o lugar de quem prega discórdia é no lixo".

Da Redacao