Maceió/AL – Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) e da Polícia Civil de Alagoas, com apoio de um helicóptero e grande aparato, invadiram a casa do sociólogo e ativista do Movimento Negro alagoano, Carlos Martins, o algemaram sob ameaça e reviraram o imóvel em busca de assaltantes de uma agência do Banco Santander.
A invasão da casa do sociólogo aconteceu na tarde de sexta-feira (10/08) da semana passada. Pela manhã, havia ocorrido um assalto na agência bancária. Só depois de ameaças, violência e constrangimentos, os agentes reconheceram que tinham invadido a casa errada, porém, não se desculparam pelo ocorrido.
Martins é ativista do Movimento Negro e participou da criação do Núcleo de Estudos sobre a Violência em Alagoas na Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Criou também o Grupo de Estudos para discutir Violência e Etnicidade.
A violência sofrida pelo sociólogo está provocando a revolta de ativistas nas redes sociais que passaram a se mobilizar por meio de uma abaixo-assinado exigindo a retratação por parte do Governo do Estado. O caso também entrou na agenda da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Alagoas.
Nesta quarta-feira (15/08), a partir das 9h, a Comissão de Defesa das Minorias Sociais e Étnicorraciais da Ordem dos Advogados do Brasil de Alagoas (OAB/AL), realizará um ato público de repúdio. Durante o ato serão cobradas explicações dos órgãos de segurança do Estado e pedida a punição dos agentes envolvidos na operação. Também será pedido apoio ao Ministério Público.
Solidariedade
A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas expressou a solidariedade ao sociólogo e protestou contra o racismo.
Martins é membro da Associação Brasileira dos Pesquisadores Negros e mestrando de Sociologia no Programa de Pós-Graduação do Instituto de Ciências Sociais da Ufal.

Da Redacao