S. Paulo – O caso da enfermeira Sônia Maria Lofredo, 44 anos, que foi maltratada, xingada e ameaçada por funcionários e seguranças do Carrefour do Shopping Eldorado, ao tentar trocar um aparelho telefônico com defeito, será investigado pela Polícia de S. Paulo.
A delegada adjunta do 15º DP do Itaim, Beatriz Bravo Hernandez, determinou a abertura de Inquérito Policial, com prazo de 30 dias para conclusão das investigações.
O caso aconteceu no dia 13 de janeiro, e se tornou público há cerca de 15 dias, porque Lofredo disse que, além de xingamentos com conotação racista, foi constrangida e humilhada na frente dos filhos – C.X. R. e H.X.R., respectivamente de 10 e 12 anos -, que estavam acompanhados de um amigo K.M.F., também de 12 anos. Ela tinha ido levar as crianças ao cinema do Shopping e resolveu fazer a troca do aparelho com defeito.
A enfermeira acusa funcionários e seguranças do Hipermercado de também terem ameaçado sua integridade física. “Vou estourar sua cara sua negra desgraçada”, teria dito um dos seguranças, um homem baixo e atarracado com cicatrizes que pareciam de queimadura, segundo sua descrição, antes de ser encaminhada a salinha do shopping onde ficou detida até a chegada da Polícia.
Mais ameaças
Os policias ainda ameaçaram levá-la algemada, porque ela se recusou a seguir para a Delegacia numa viatura da PM. Depois de quase uma hora de constrangimentos e vexames, eles concordaram em escoltá-la até sua casa no Jardim Paulistano, próximo ao Eldorado, para que deixasse as crianças e depois a levaram à Delegacia.
Segundo a enfermeira, a gerente Edimeire Moraes de Andrade Santos e a direção do Carrefour armaram um teatro para inverter a situação. No Boletim de Ocorrência, é ela que é acusada de agressão, com base no art. 129 do Código Penal. A pena para esse tipo de crime varia de 3 meses a um ano de detenção.
“Entrei no Carrefour como consumidora com uma queixa, tentando fazer uma troca que estava no meu direito. Sai de lá, ré, agredida no meu direito de cidadã e de consumidora e passando por constrangimento moral que me atingiu e aos meus filhos”, conta.
Investigação
Na representação em que requereu a abertura do Inquérito, o advogado Dojival Vieira pede que seja apurada a prática dos crimes de Ameaça (art. 147), Injúria racial (art. 140), Constrangimento ilegal (art. 146), Denunciação caluniosa e Falsa comunicação de crime (arts. 339 e 340), por parte da gerente de vendas que registrou uma suposta agressão no Boletim de Ocorrência, bem como a violação explícita aos artigos 230 e 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma vez que os dois filhos – e o seu colega – foram testemunhas e vítimas das agressões.
O advogado também pede a Polícia a tomada do depoimento de oito testemunhas arroladas, inclusive as crianças, que são testemunhas e vítimas, e requisite as imagens do circuito interno de TV da loja e Shopping, para que sejam identificados os autores das agressões e ameaças.
A enfermeira, que é ativista conhecida pela sua atuação com os índios no Parque Nacional do Xingu e em projetos como o Quixote, da Unifesp, e o Aprendiz, do jornalista Gilberto Dimenstein, disse que não descansará enquanto o Carrefour não fizer um pedido formal de desculpas e se comprometa publicamente a adotar medidas visando a capacitação dos seus funcionários e seguranças.
“São, na sua maioria, despreparados, não estão capacitados para lidar com clientes, especialmente se pobres e negros. Não aceito ter sido tratada como criminosa junto com meus filhos. Quero que seja esclarecida a verdade. Quero Justiça”, afirmou.
Veja o vídeo com o depoimento da enfermeira gravado pelo cinegrafista Jefferson Ferreira com exclusividade para a Afropress.

Da Redacao