S. Paulo – São sete e não quatro, os seguranças que estavam de serviço no Hipermercado Extra, da Marginal do Tietê, na Penha, no dia do episódio de violência ao garoto negro T., de 10 anos, obrigado a tirar a roupa num quatro para onde foi levado enquanto era ameaçado para provar que não havia furtado as mercadorias pelas quais já havia pago. O caso aconteceu no dia 13 de janeiro, uma quinta-feira.
A direção do Extra apresentou ao delegado que preside o inquérito, Marcos Aníbal de Andrade, os nomes dos sete funcionários, porém, a relação não foi entregue junto com os prontuários com as fotografias, conforme havia sido pedido inicialmente. A direção do Extra também alega que não tem imagens gravadas em circuito interno de TV.
Chefe dos seguranças
Sem a presença do advogado constituído da família do garoto, Dojival Vieira, que não foi informado, o delegado ouviu na quarta-feira (02/02), o chefe dos seguranças do Extra – cujo nome não foi revelado – chamado de “líder de prevenção de perdas”, na nomenclatura interna da empresa.
Os presidentes da Comissão de Direitos Humanos e da Comissão da Igualdade Racial e do CONDEPE – respectivamente, Martim Almeida Sampaio e Eduardo Silva e Ivan Seixas – também não foram avisados.
O depoimento – que começou no período da manhã e se estendeu até a tarde – e foi acompanhado pelo promotor Luiz Paulo Sirvinskas, da Promotoria de Justiça Criminal do Foro Regional da Penha, designado pela Procuradoria Geral de Justiça para acompanhar o inquérito.
O chefe dos seguranças contou uma versão que confirma, em parte, o relato do garoto. T. disse que já havia atravessado o caixa, quando foi abordado e levado a um quartinho. O garoto disse que reconhece um homem de traços orientais – que juntamente com outros três – o obrigaram a tirar a roupa e o mantiveram sob ameaças de chicotadas.
O delegado afirmou que já pediu que o garoto seja submetido a uma avaliação psicológica e que na próxima semana deverá ouvir outros envolvidos. Ele não descarta a hipótese de promover uma reconstituição do caso.
Presença
A realização do depoimento apenas com a presença do MP e de advogados da empresa nada tem de irregular, porém, causou estranheza porque contribuiu para manter o caso fora do noticiário dos jornais. Desde que o pai do garoto Diógenes da Silva fez a denúncia, o caso tem ocupado espaço nos jornais e no noticiário das principais emissoras de TV do país.
O advogado Dojival Vieira, que, na tarde desta quinta-feira (03/02), manteve contato telefônico com o delegado, pediu para ser informado dos próximos depoimentos dos acusados, obtendo do mesmo a promessa de que isso será feito.
Posteriormente, em conversa com os presidentes da Comissão dos Direitos Humanos e da Comissão da Igualdade da OAB, mesmo com a promessa, o advogado decidiu que fará esse pedido oficialmente, por meio de requerimento ao delegado Marcos Aníbal.

Da Redacao