Ubatuba/SP – Mário Gabriel do Prado, 32 anos, o líder da Comunidade quilombola de Caçandoquinha, em Ubatuba, Litoral Norte, foi preso na manhã desta segunda-feira (22/06), acusado de desacato aos policiais destacados para cumprir a ordem de reintegração de posse do Quilombo.
Segundo testemunhas, a prisão do líder quilombola que luta pela permanência das cerca de 20 famílias que resistem ao assédio de grileiros, teria sido arbitrária porque ele apenas pediu ao Oficial de Justiça, que exibisse o mandado de reintegração.
A decisão da Justiça que favoreceu o médio Silvio Laganá de Andrade, acusado de tentar grilar a área, interessado no paraíso ecológico formado por praias paradisíacas e belas paisagens, estava provisoriamente suspensa.
Indignação
O advogado dos quilombolas, Silvio Luiz de Almeida, ficou sabendo da prisão pouco depois, por telefone, e manifestou indignação pelo que considerou arbitrariedade do oficial que cumpriu a ordem de reintegração. Segundo o advogado, não houve resistência e, portanto, a prisão representou mais uma violência contra os direitos legítimos da comunidade.
“O que torna a situação mais grave, é que não havíamos sido intimados de qualquer decisão acerca do questionamento que levantamos em relação à abrangência do mandado. Ademais, ainda que a reintegração de posse tivesse sido determinada, não havia ordem judicial para demolição da sede. Trata-se de flagrante violação de direitos humanos que não pode ficar sem resposta”, acrescenta o advogado.
A Comunidade de Caçandoquinha reivindica 680 hectares ocupados por remanescentes de quilombolas desde 1.837, durante o período da escravidão. A árrea já foi reconhecida como de Quilombo pela Fundação Palmares, Incra e Itesp. “A comunidade vai continuar lutando”, disse Prado, em entrevista à Afropress na última sexta-feira.

Da Redacao