S. Paulo – O Ministério Público de S. Paulo pedirá ao Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância da Secretaria de Segurança Pública que instaure inquérito policial para apurar a autoria das mensagens racistas com ameaças, inclusive de morte, encaminhadas a dirigentes da OnG ABC sem Racismo e a Afropress – Agência Afroétnica de Notícias.
O promotor, Eder Segura, secretário executivo do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (GAECO) encaminha hoje (27/09) ao GRADI a representação da OnG com cópias anexadas das mensagens e anunciou que o MP acompanhará o caso para apurar, processar e punir na forma da Lei os seus autores.
Há uma semana as mensagens com ameaças de morte começaram a ser recebidas. Em todas, os autores se mostram solidários ao estudante Marcelo Valle Silveira Mello, acusado de práticas racistas em processo aberto pela Justiça de Brasília. Na representação entregue ao MP é pedida a investigação das conexões entre essas mensagens e o acusado, a juntada das ameaças ao processo aberto e a continuidade das investigações para identificar autores de crimes de racismo na Internet.
Mello, responsável pelo ataque à Afropress no início de agosto passado, foi denunciado pelo promotor Marcos Antonio Julião, depois de ter computadores e disquetes apreendidos em sua casa e de familiares nas Asas Norte e Sul, bairros de classe média de Brasília.
Julião formalizou a denúncia depois de perícia nos computadores apreendidos. A denúncia foi aceita pela Justiça que já marcou o interrogatório do estudante para o dia 23 de janeiro do ano que vem. O caso é o primeiro em que um acusado de racismo vai às barras dos Tribunais. Uma possível condenação pode gerar jurisprudência.
O ouvidor da Seppir, Luiz Fernando Martins da Silva disse que o processo contra o estudante da UnB “é paradigmático para decisões futuras. “Este é um caso exemplar que a comunidade e as instituições devem estar atentas na medida em que este pode vir a ser um caso paradigmático para decisões futuras. E importante que os setores da sociedade civil estejam atentos, não só denunciando, mas também cobrando das instituições para que elas atuem de modo também exemplar para a solução do problema”, afirmou.
Ao mesmo tempo em que a denúncia era feita e aceita, as mensagens com ameaças começaram a ser encaminhadas por grupos racistas que se dizem solidários ao acusado. Em uma delas os agressores desafiam. “Você e sua OnG são negróides que necessitam ser urgentemente exterminados. Lugar de Negro é no presídio e não em Universidade”. Em outra, postada no mesmo dia, os racistas vão além. “Macaco asqueroso, preto de merda, és tudo que és, iremos te matar”. Ou ainda mais ameaçadores. “Eu juro por deus que vou me vingar por brOk3d (o nick de Marcelo Valle Silveira Mello), ele pode até ir para a cadeia, mas eu fvou ficar aqui caçando essa OnG junto com o resto dos amigos dele”.
A identificação do estudante da UnB foi feita inicialmente pelo promotor Christiano Jorge Santos que encaminhou as informações ao colega do MP de Brasília.

Da Redacao