Cuiabá/MT – O estudante africano Toni Bernardo da Silva, 27 anos, do Curso de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso, foi morto a pancadas na noite desta quinta-feira (22/09) em uma pizzaria do bairro Boa Esperança, em Cuiabá, Mato Grosso.
Os acusados, segundo a Polícia, são dois policiais militares e um empresário filho de um delegado aposentado, cujos nomes não foram revelados. Os três estão presos. O estudante, que é natural da Guiné-Bissau, morreu no local sem tempo de receber socorro médico.
Segundo relato da Polícia Civil de Cuiabá, a vítima chegou a pizzaria por volta das 23h e teria começado a pedir dinheiro aos freqüentadores. Numa das mesas esbarrou na namorada do empresário. Foi então que os dois policiais militares, que estavam à paisana, o retiraram à força e começou a sessão de espancamentos, que levou o universitário à morte.
Os policiais acusados prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na presença do representante da Corregedoria da Polícia Militar de Mato Grosso.
Cínicamente os assassinos disseram que apenas imobilizaram o rapaz. A perícia feita pelo Instituto Médico Legal (IML) aponta que o estudante foi morto por asfixia e devido a uma lesão na traquéia.
Tristeza
Nito Jorge Gomes, que já foi aluno da UFMT e era amigo de Toni, disse que o rapaz era uma pessoa pacífica. “A gente conhece Toni. Ele não tinha coragem de agredir ninguém. Esta situação é muito triste”, afirmou. A família do estudante já foi avisada e o traslado do corpo será feito após entendimentos com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Guiné Bissau.
Universidade
Segundo a Assessoria da UFMT, o estudante fazia parte do Programa Estudante Convênio de Graduação e deveria se formar no ano passado, porém, abandonou o curso por causa do uso de drogas.
Em nota, a UFMT garante que prestou a assistência necessária ao estudante. “Foram prestadas assistência e acompanhamento psicológico ao estudante, por meio da Coordenação de Assistência e Benefícios (Cabes), sem a adesão satisfatória [do aluno]”.
A Pró-Reitora de Ensino e Graduação da UFMT, Miriam Serra, disse que já acionou a Polícia Federal para atuar no caso. “Todas as medidas que estiverem ao alcance da UFMT serão tomadas em solidariedade”, disse.

Da Redacao