S. Paulo – Carlos Magno dos Santos Diniz, Ricardo José Manso Monteiro, Márcio Barra da Rocha e Alex Sandro Soares Machado, os quadro policiais militares acusados de assassinar, sob tortura, o motoboy Alexandre Menezes dos Santos, 25 anos, continuarão presos no Presídio Militar Romão Gomes, no Tremembé, Zona Norte de S. Paulo.
O Tribunal de Justiça de São Paulo negou nesta segunda-feira (13/09) pedido de Habeas Corpus contra a prisão preventiva feito pela defesa policiais militares. Alexandre foi morto a socos e pontapés, em frente à casa onde morava na Rua Guiomar Branco da Silva, Cidade Ademar, e na frente da própria mãe – Maria Aparecida Menezes (foto) – no dia 08 de maio.
Os policiais são formalmente acusados de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de racismo). Eles alegam que o motoboy ignorou a abordagem policial.
A mãe do motoboy disse à Afropress que ficou com seqüelas pelo trauma de ver o filho ser morto na sua frente, sem nada poder fazer. Ela disse sentir-se culpada por não ter impedido a morte do filho e está recebendo ajuda de psicólogos.
Repercussão
O caso do assassinato de Alexandre – o segundo motoboy negro em menos de 30 dias (o primeiro foi Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, ambos na foto) -, provocou indignação das entidades do Movimento Negro e de defesa dos direitos humanos, e a queda dos comandantes militares do Batalhão da área onde foi morto e a destituição do Corregedor da PM, coronel David Nelson Rosolen, substituído por um oficial negro, o coronel Admir Gervásio Moreira.
O Governador Alberto Goldman assinou decreto determinando a indenização da família do motoboy, porém, até hoje a mãe, nada recebeu.
Os PMs também foi denunciados pelo Ministério Público de fraude processual porque, de acordo com a Promotoria, modificaram a cena do crime ao plantar uma arma de fogo para simular que Alexandre estava armado.
Asfixia
Para pedir a manutenção da prisão preventiva, o Ministério Público argumentou que “os policiais “no mínimo assumiram o risco de matar a vítima com o desferimento de incontáveis golpes com os pés, mãos e o que mais houvesse, segurando-a, posteriormente, pelo pescoço, em um golpe conhecido como gravata, com os pés e braços seguros por policiais militares, impedindo-a de resistir e retirando-lhe o apoio suficiente dos pés no chão, facilitando a asfixia”.
A defesa dos acusados sustentou que não via razão para a manutenção da prisão e defendeu que respondessem ao processo em liberdade, o que foi negado pela Procuradora Tereza Cristina Maldonado Exner.

Da Redacao