S. Paulo – O advogado Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista e ativista do Movimento Negro, foi vítima de vexame e constrangimentos, juntamente com o filho menor N.P.S.F., de 13 anos, por parte de policiais militares, ao se dirigir ao Estádio do Pacaembu para assistir ao jogo Corinthians x Flamengo pela Taça Libertadores das Américas. Os policiais não foram identificados mas estavam na viatura M-16024, Placa CWN-5424.
O caso aconteceu em frente ao prédio da Receita Federal, por volta das 19h40. Ao ver o filho ser abordado de forma agressiva pelos PMs, tendo uma arma sob a cabeça, o advogado tentou socorrê-lo. Um dos policiais exigia que o garoto parasse e tirasse a mão do bolso da blusa do agasalho, em tom ameaçador.
Sinvaldo, então se apresentou como pai do menor e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB, além de assessor jurídico do deputado José Cândido (PT/SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia. A intervenção irritou ainda mais os PMs. “Você é mesmo advogado?. Então também será revistado”, disse com ironia e em tom ameaçador, empurrando-o com a cabeça virada contra o muro.
Ao tentar usar o celular para pedir por socorro, os policiais pegaram a carteira da OAB e disseram que poderia denunciar para “OAB ou para quem quisesse e que não iria ligar para ninguém”.
Ao dizer que era assessor jurídico do deputado José Cândido, a resposta veio em tom de deboche. “O deputado tem imunidade?”.
O advogado ainda pediu para um sargento que fazia parte da equipe, os nomes dos policiais, ouvindo do mesmo a resposta de que se quisesse anotasse o número da viatura. Terminada a revista, ainda em tom inquisitivo e ameaçador pediram que se retirasse, e rápido.
“É importante frisar que outras pessoas que estavam passando pelo local não eram abordadas, meu filho conversando comigo lembrou-me que muitas portavam mochilas ou bolsas, o que não era o nosso caso”, disse Sinvaldo.
O advogado apresentou representou na Ouvidoria da Polícia e na Comissão de Direitos Humanos da OAB.
Nesta sexta-feira (07/05), ainda assustado, Sinvaldo disse que os policiais estavam visivelmente irritados e que os constrangimentos demoraram cerca de 10 minutos. Ele acrescentou que sentiu que a agressividade seu deveu ao fato de, tanto ele quanto o filho, serem negros.

Da Redacao