No instante em que se aproxima à data limite para a filiação política partidária dos possíveis candidatos aos cargos majoritários proporcionais nas eleições de 2006, é grande a movimentação de militantes negros com mandato e dos que pretendem conquistar um cargo público através do voto.
As acomodações estão ocorrendo em diversos Estados, como no Rio de Janeiro, onde é quase certa a tentativa do vereador carioca Edson Santos e da deputada estadual Jurema Batista, ambos do PT, que devem disputar respectivamente o pleito do próximo ano como candidatos à Assembléia Legislativa e a Câmara dos Deputados, com apoio total a uma possível candidatura de Benedita da Silva, que deve, (após a liderança demonstrada no último pleito, quando os candidatos por ela apoiados em 2004 em importantes municípios fluminenses foram eleitos,) disputar o cargo proporcional de Senadora ou governadora do Estado, com o apoio de uma ampla frente política.
Em Rondônia, a ex-vereadora de Porto Velho, Silvana Davis, que surpreendeu a classe política daquele Estado do norte, ao conquistar o 3º lugar como candidata ao Senado em 2002, vencendo a forte oligarquia rondoniense, deve disputar novamente o Senado ou ser candidata a vice-governadora.
Na “selva política” que é o Estado de São Paulo, com cerca de 27 milhões de eleitores estimados para o pleito de 2006, toma corpo junto a algumas entidades do chamado movimento negro, o balão político lançado pela Tucanafro, representação de militantes negros do PSDB paulista, que pretende viabilizar o nome do Secretário da Justiça e Cidadania, Hédio Silva Junior, como candidato a vice-governador, numa possível chapa que teria um tucano como cabeça de chapa, embora o jurista que ocupa o cargo na cota do PFL, não esteja ainda filiado a qualquer grei partidária. Mas, até o próximo dia 30 é possível que ele defina seu rumo partidário, porque se o cavalo passar arriado no próximo ano, não deverá perder a oportunidade de montá-lo e entrar na disputa.
No campo proporcional, são comentadas as possíveis candidaturas à reeleição dos deputados estaduais petistas Vicente Cândido e Tiâozinho do PT, bem como os nomes da vereadora santista Sandra Arantes do Nascimento e de Elisa Lucas Rodrigues, atual presidenta do Conselho Estadual do Negro, que fez bonito na última eleição, buscando alcançar uma cadeira no parlamento estadual, além dos vereadores Agnaldo Timóteo e Claudete Alves, que como o ex-prefeito Celso Pitta, estão com os olhos voltados para a Câmara dos Deputados, embora o vereador-cantor tenha reafirmado que para Brasília, onde esteve representando o Rio de Janeiro naquela Casa, não pretende retornar como político, mas pode fazer o “sacrifício” pelo partido de Paulo Maluf.
No PT paulista começa a tomar corpo o movimento que pretende lançar mais uma vez um militante negro como um dos suplentes do senador Eduardo Suplicy, que se ainda estiver no partido deverá disputar a reeleição pela legenda que começa perde luz como referência política séria, com o nome do militante histórico Milton Barbosa, um dos fundadores do MNU, sendo lembrado, dando seqüência a tradição partidária de na chapa do ex-marido da ex-prefeita Marta, tenha sempre o nome de um militante negro como um dos suplentes, a exemplo do que aconteceu em 1990 e 1998, quando Dulce Pereira (ex-Cardoso) e Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, integraram as respectivas chapas, colaborando na conquista do voto negro. E só.
Até a realização das convenções partidárias muita água de rio ou igarapé, vai passar embaixo da ponte.
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É preciso ter consciência de que a capacidade de liderança e participação política, devem ser exercitadas ao máximo, seja no plano pessoal, interior, que seja no plano familiar, onde se deve conversar, discutir, analisar e orientar, sem esquecer as prevenções que existem contra nós. Prevenção que é consciente ou inconsciente, mas existe.
A inconsciente é em função da sociedade dominante que foi formada dentro de uma estrutura de dominação de poder e ascendência sobre o negro, legado do fenômeno escravagista. Mas, a consciência está chegando a cada dia, arquivando a arrogância e a pretensão dos que pensam que dominam, pois os tempos são outros.
“É uma virtude política ter imaginação”.
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“Minha vida política tem sido uma grande escola (…) Aprendi que é possível construir uma sociedade mais justa, onde não existam divisões entre ricos e pobres, negros e brancos, homens e mulheres (…) “. Benedita da Silva, ex-vereadora carioca, deputada federal, senadora, vice-governadora e governadora do Estado do Rio de Janeiro, Assistente Social.

Antonio Lucio