S. Paulo – Uma avalanche de insultos racistas desabou sobre a cabeça do colombiano Juan Camilo Zúñiga Mosquera, responsável pela entrada violenta que provocou a fratura da 3ª vértebra de Neymar e a consequente saída do jogador da Copa. Zuñiga, bem como boa parte da seleção colombiana, é negro.

A Colômbia é o terceiro maior país do continente americano em população negra, com 7 milhões de afro-colombianos. Fica atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil. A seleção que disputou a Copa de 2014 é formada por maioria negra – sete dos onze titulares – e fez a melhor campanha em Copas do Mundo de sua história, pois nunca antes havia passado da primeira fase e chegado às quartas de final.

As ofensas veiculadas nas redes sociais por torcedores brasileiros  vão desde “macaco” até palavrões impublicáveis. O curioso é que antes do início do jogo do Brasil contra a Colômbia, no Castelão, em Fortaleza, os capitães dos dois times – Thiago Silva e Mario Yepes – leram, em tom solene, declaração em que conclamam as torcidas a condenarem o racismo e qualquer tipo de discriminação como parte da campanha desenvolvida pela FIFA em todas as Copas.

O jogador colombiano usou as redes sociais para se defender: “Sinto muito por esta situação que resultou de ação normal de jogo, na qual não tive má intenção, maldade ou imprudência”, escreveu o jogador na tarde deste sábado na concentração da Colômbia em Cotia, na região metropolitana da Grande S. Paulo.

Ataques a família

Os ataques racistas não pouparam a filha pequena do jogador, o que fez a mulher de Zuñiga, Maria Angélica, retirar a imagem da criança das redes sociais e a pedir moderação. “Vocês não têm Deus no coração? Estou sofrendo tanto”, disse a esposa de Zuñiga, dirigindo-se aos agressores racistas.

Neymar , vítima da entrada, foi o principal divulgador de uma campanha recente lançada por ele e pela Agência Loducca, a partir da atitude do lateral Daniel Alves, do Barcelona, ao comer uma banana atirada por um torcedor num jogo do campeonato espanhol. A campanha, considerada infeliz, usou o mote “somos todos macacos”.

Segundo ativistas, as campanhas antirracistas que se restrigem a eventos – como foi o caso da desenvolvida pela agência com nítido sentido comercial, e da própria FIFA, que utiliza os jogos do mata-mata para divulgar mensagens – "são inócuas pois o racismo, que é uma patologia social e tem como base no Brasil a herança maldita da escravidão, está enraizado, permeia as relações interpessoais e precisa ser combatido e erradicado por meio da educação e atitudes concretas e não por lances de marketing".

 

 

Da Redacao