Brasília – O senador Paulo Paim (PT/RS), indicado por Lula para a Secretaria Especial de Políticas da Igualdade Racial (SEPPIR), na reforma ministerial que a Presidente Dilma Rousseff começa a por em prática nos próximos dias, ainda não recebeu convite da Presidente para assumir o cargo, atualmente ocupado pela socióloga Luiza Bairros, cuja gestão é considerada “apagada” na Esplanada.
Por meio de sua assessoria Paim – que está em recesso no Rio Grande do Sul e só retorna à Brasília no final deste mês – disse à Afropress que, enquanto não for convidado oficialmente pela Presidente, está impedido eticamente de se manifestar a respeito.
Acrescentou, porém, que considera “honrosa” a lembrança do seu nome e que, no momento oportuno, se posicionará.
Na entrevista que concedeu a Afropress Paim, sem direcionar críticas a figura da atual ministra, observou que Bairros “está um pouco distante do Congresso”.
“Olha, a bem da verdade, eu não acompanho muito o trabalho da ministra, até porque não há uma relação, digamos, tão próxima ao Congresso como nós tínhamos antes com o próprio ministro Elói e o ministro Edson. Com o ministro Elói e o ministro Edson nós tínhamos uma relação mais próxima porque havia, aqui no Congresso, todo um debate da política de cotas, da questão do orçamento, da questão do próprio Estatuto da Igualdade Racial, e a gestão da ministra ela está um pouco distante do Congresso”, afirmou.
Chacoalhada
O senador também frisou que, independente do nome que vier a ser indicado pela Presidente Dilma, a SEPPIR “precisa de uma boa chachoalhada”.
“Por que as questões do povo negro não avançam? Por que a Lei da Educação, nem 20% dos municípios brasileiros aplicam, o que é isso? Onde está o problema? É preciso fazer um movimento forte, reunindo os intelectuais, os militantes, o pensamento de negros e brancos comprometidos com a liberdade”, afirmou, na entrevista realizada no final do ano passado.
Sem avanços
Ele também manifestou divergência em relação a avaliação positiva feita pela atual gestão da SEPPIR em relação a situação da população negra. “Nesse aspecto, o que avançou? As cotas avançou? Não avançou. A questão quilombola avançou? Não avançou. Conseguimos dar mais visibilidade para a questão do povo negro, aproveitando o Ano? Não vi. Então, eu diria, que não aconteceu, na minha avaliação, nada. E não estou criticando nenhum evento. Os agentes que poderiam fazer com que isso acontecesse de uma forma, não digo global, mas pelo menos nacional, talvez – e digo talvez – foram engolidos, entre aspas, pela crise internacional”, acrescentou.
Segundo Paim, o Estatuto da Igualdade Racia – Lei 12.2888/2010 – cujo projeto original é de sua autoria, ainda não foi regulamentado por falta de vontade política e alertou que se essa situação não mudar o Estatuto “poderá se tornar uma Lei para inglês ver”.

Da Redacao