Críticas coerentes ou não, pertinentes ou não, são absorvidas rapidamente pelo leitor. E, principalmente, para quem não é leitor, mas que se satisfaz em somente ouvir e não buscar fundamentações ou mínimas reflexões.
E isso, faz lembrar uma situação corriqueira na vida de um consumidor. Salvo engano, a pessoa que recebeu um excelente atendimento, ou teve uma ótima prestação de serviços, divulga as qualidades deste trabalho para seus amigos próximos (propaganda boca-a-boca). Agora, quando o sujeito é lesado, ele divulgará para amigos, inimigos, desconhecidos. Enfim, vai de alguma forma “se vingar”.
Certa vez, em um debate, no Centro Cultural Banco do Brasil, com jornalistas conceituados de cadernos literários de jornais do Rio e SP, foram discutidos os irreversíveis estragos deixados pelos jornalistas ‘que estão críticos de artes’ – muito jovens e com pouca bagagem cultural.
A questão dos interesses dessas empresas de comunicação também foi citada como um mal que sagra as nossas redações. Todos nós sabemos que a verdade do ‘dono da empresa’ e a ‘versão oficial’ nem sempre são parceiras da ‘verdade de quem vivenciou o fato’ ou a ‘versão oficiosa’.
Cotas, ações afirmativas, negro, violência, homofobia, são temas que vivem sendo “trabalhados” pela mídia e é óbvio que se nós não sabemos os motivos ‘x, y, z’, mas sabemos que motivos existem e, que vão atender a alguns e não a todos.
E, quanto aqueles milhões de outros que realmente nunca saberemos de que tipos de tramas são tecidas para que sejam detonados ou alavancados.
Um bom livro para pensar nesta dinâmica é “Chatô”, do jornalista Fernando de Morais. São tantas as artimanhas e maracutaias criadas pelo presidente dos Diários Associados que dá para nós termos uma idéia, muito tênue, é verdade, da existência intrínseca de interesses envolvidos em absolutamente tudo.
Até mesmo colocar uma pessoa, que pode ser um excelente jornalista em outras áreas, mas que não detém conhecimentos específicos para atuar como crítico. Conhecimentos específicos, como em qualquer profissão, demandam tempo, estudo, treinamento, investimentos, justamente o que as empresas não querem, pois isso onera a folha da redação.
Joel Zito, evidentemente, tem razão para responder, não com acidez como muitos podem considerar. Mas, com a preocupação de estar descortinando reflexões que são extremamente pertinentes.
Quando da entrega dos prêmios em Gramado, as declarações infelizes do crítico de cinema Rubens Ewald, presidente do júri do Festival de Gramado. Ele havia afirmado que a entrega de oito prêmios ao filme Filhas do Vento (seis para os atores, um para o diretor e um para o filme, escolhido como o melhor pela crítica) fora política. “Foi uma premiação totalmente pensada. Alguém acha que foi à toa que demos prêmios para seis atores negros em um estado como o Rio Grande do Sul, que sempre foi acusado de desprestigiar o negro”, disse o crítico em entrevista ao Jornal do Brasil. Depois da retratação, a equipe capitaneada por Zito recebeu os prêmios.
Parece até que nós negros só começamos a usar garfo e faca hoje.
Bom, no caso de seguirmos pela trilha do “panfletário”, então teremos que criticar acidamente os filmes de Tizuka Yamasaki, Eduardo Coutinho, do diretor Steven Spielberg e, por aí vai…
Não sou cinéfila, é verdade. Mas, nós devemos também tentar entender ou pelo menos desconfiar dos discursos dos meios de comunicação, seus donos e empregados.
Joel Zito e equipe: Parabéns. Que venham mais 10 milhões de Joels Zitos nestes Brasis.

Sandra Martins