S. Paulo – A dezessete dias do Dia Nacional da Consciência Negra, militantes do Movimento Brasil Afirmativo decidiram, em reunião realizada neste sábado (03/11), no Aristocrata Clube, que a convocação deve ser mais assertiva. “Por um Brasil sem racismo, com oportunidades iguais para todos. Tome uma atitude. Ocupe a Paulista!”, será o mote da convocação e das chamadas. A concentração acontece a partir das 12h, no vão livre do MASP. No ano passado, 20 mil pessoas estiveram na manifestação. Este ano são esperadas, pelo menos três vezes mais.
A Comissão de Comunicação, formada por estudantes do Grupo Dandaras, da Faculdade de Comunicação da Cásper Líbero produziu spots para chamadas que já estão sendo enviados para as rádios comunitárias da periferia da região metropolitana. Segundo Cíntia Gomes também serão produzidos outros spots para públicos específicos como os evangélicos e o pessoal do hip hop.
Também será lançado um Manifesto que será usado na convocação, falando do tema da Parada e das bandeiras de luta como a defesa da aprovação imediata do Estatuto, do PL 73/99, da PEC 02/06, e da nacionalização do feriado de 20 de Novembro, dia dedicado à memória de Zumbi dos Palmares.
Um ofício assinado pela coordenação da manifestação pedindo a liberação da Avenida foi enviado à Subprefeitura da Sé e também a Coordenadoria Especial de Assuntos da População Negra (CONE).
O irmão do jogador Cafú, pentacampeão atualmente no Roma, da Itália – Maurício Evangelista, da Fundação Cafú – se integrou ao Movimento Brasil Afirmativo e disse que vai mobilizar o Jardim Irene para a Parada. Também o pastor João Adel, da Comunidade Evangélica Pão da Vida, afirmou que a Parada será um momento de extrema importância na luta por igualdade em São Paulo e no Brasil.
Programação
A Parada será aberta às 13h, com o Hino à Negritude, do professor Eduardo de Oliveira, presidente de honra do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB). Às 14h, haverá ato inter-religioso, reunindo representantes de todas as religiões presentes; das 14h30 às 16h, acontecerão apresentações musicais. A cantora gospel Jamile Zeidan, e os rappers Nego Rauls e Nego Chic, vão organizar a agenda com as apresentações culturais; em seguida começa a Marcha.
O roteiro ainda não foi definido porque as lideranças da Parada tem a expectativa de que todas as forças do Movimento Negro se unam numa agenda comum. Nesse sentido, haverá reunião nesta segunda-feira (05/11), às 15h, na sede da Educafro, convocada pelo Frei Antonio Leandro da Silva, que defende a unidade nas manifestações. Representantes da Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN) e da UNEGRO – que ainda resistem a uma agenda comum – deverão comparecer.
Segundo João Bosco Coelho, da coordenação do Movimento Brasil Afirmativo, não há nenhum sentido na divisão. “Queremos a união de todas as forças, numa demonstração de unidade dos setores que querem um Brasil sem racismo e com igualdade de oportunidades para todos”.
A data é nossa
Ainda nesta semana, as lideranças da Parada deverão tomar posição em relação à intenção anunciada pela Prefeitura e pelo Estado de promoverem grandes shows no campo de Marte e na Praça da Sé, com artistas de nome. A iniciativa vem sendo vista como uma tentativa do Estado de esvaziar as manifestações e de se apropriar da data.
Na reunião ficou decidido que, além da convocação por filipetas, chamadas nas rádios comuntárias, cartazes, e do boca a boca, personalidades negras serão convidadas a participar da Parada. A Comissão de Contatos na Região Metropolitana, formada por Gerson Pedro e Cátia Trindade vão procurar lideranças nas 39 cidades da Grande São Paulo para sugerir que procurem as Câmaras de Vereadores pedindo pelo menos dois ônibus para transportar manifestantes para a Avenida Paulista.
Até o dia 20 haverão ainda duas reuniões preparatórias – nos dias 10 e 17 – também no Aristocrata. A reunião do dia 17 será encerrada com uma feijoada de celebração, entre os ativistas. A última atividade preparatória acontece na véspera, com um show com artistas negros, como Leci Brandão, na Cidade Universitária, na USP, em comemoração aos 20 anos do Núcleo de Consciência Negra na USP.

Da Redacao