Os últimos acontecimentos na Universidade de São Paulo causam-nos revolta e indignação. A paralisação de professores, funcionários e estudantes reivindicando eleições diretas para reitor e a abertura do Conselho Universitário à participação de toda a comunidade universitária vem sendo tratada com truculência e autoritarismo.

Tal postura evidencia o caráter elitista e conservador da direção da USP, se reflete na forma com que as decisões são tomadas na instituição e nas políticas adotadas, entre elas a de acesso à própria universidade – haja vista a recusa em adotar ações afirmativas em benefício de estudantes pobres e negros.

A USP é a maior e mais importante Universidade do país. É inadmissível que nela se pratique o maior exemplo de antidemocracia.

A luta por um projeto de universidade democrática, inclusiva e que priorize a diversidade em todos os sentidos implica, necessariamente, outra estrutura de poder. Significa ter uma gestão que priorize o diálogo e não a violência. Que tenha a liberdade de expressão como valor e não como pretexto para perseguir alunos, professores e funcionários.

Esperamos que a reitoria da USP preze pelo bom senso e permaneça aberta às negociações. Que os conflitos políticos sejam resolvidos sem o uso de força policial, sem violência ou qualquer criminalização. É inadmissível que a polícia seja chamada para tratar problemas políticos na Universidade.

Como artista, como deputada e, principalmente, como cidadã quero uma USP que seja pública, de fato. Para isso, não podemos prescindir de uma Universidade com eleições diretas e com uma gestão democrática.

Oxalá as autoridades públicas não permitam que as cenas de violência que assistimos na USP em 2011 se repitam.

Leci Brandão