Antes que as hienas de plantão se manifestem, me adianto para informar a meia dúzia de leitores que ainda não perderam a paciência de ler o que escrevo até o fim: sou contra o “impeachment” da Presidente Dilma Rousseff.

Mas, por razões diametralmente opostas as levantadas pelo governismo, inclusive pelos negros chapa-branca, como sempre apostos para a defesa de qualquer governo desde que lhes caiam as migalhinhas que a Casa Grande costuma reservar aos dóceis.

Não me entusiasma o “Fica Dilma”, nem tampouco o “Não vai ter golpe”. São palavras de ordem vazias, cujo único poder e função é animar claques. Pagas e sob encomenda, algumas delas.

Sou contra o “impeachment” porque esse Governo – com as regras de eleições fraudadas desde sempre pelo mercado – foi “eleito” para um mandato de 4 anos. Se a eleição representou o maior estelionato eleitoral de que se tem notícia na história da política brasileira, cabe às vítimas – todos nós , o povo brasileiro – ficarmos mais atentos e ter mais responsabilidade com o voto, que numa República é sempre instrumento dos cidadãos para a mudança, mas que nesta, dominada pelo mercado, se transformou em puro instrumento de compra e venda, exercício de ilusionismo.

Está aí o resultado.

Não que a alternativa à Dilma fosse diferente. Não seria. Uma eventual vitória do senador tucano Aécio Neves seria o mais do mesmo, porque esse modelo político eleitoral, partidário e de governança, iniciado em 1.995 por FHC e continuado por Lula e Dilma, esgotou-se. Nada mais tem a oferecer. Nem a dizer.

Dilma perdeu as condições de governabilidade antes de tomar posse porque comprovadamente mentiu. Na campanha acusava o seu adversário das maldades, que ela própria se encarregou de fazer.

Daí, a sensação de desalento, de desamparo, de frustração, de raiva – o que explica seus índices baixíssimos de popularidade aferidos nas pesquisas de todos os institutos – menos de 8% de aprovação.

Os defensores do “impeachment” – gente que vai de cidadãos bem intencionados aflitos com a situação econômica, com o descontrole da inflação e o aumento do desemprego (já atinge a 20% dos jovens), à extrema direita saudosa da ditadura militar – querem encerrar o mandato da Presidente na ilusão de que um Governo dirigido por Michel Temer possa encerrar o pesadelo.

Puro engano.

A repetição de um governo de transição com Temer (um espécie de Itamar Franco fora de tempo e lugar), é puro ilusionismo. Um Governo Temer faria exatamente o mesmo que Dilma faz: jogar o custo da crise – criada por uma política econômica errática e pela privatização do Estado pelo grupo que governa há 13 anos, como evidencia a escandalosa corrupção exposta pela Operação Lava-Jato.

Para nós, os cidadãos que sofremos o peso da crise, há apenas uma saída: aguentar até o fim esse governo catastrófico, atolado em escândalos e corrupção – ainda que ao custo do aprofundamento de todos os desastres que vem por aí. É preciso chegar até o fundo do poço – e isso ainda não aconteceu, segundo todos os analistas – para daí nos reerguermos com energias, alternativas e ideias novas. É o preço a pagar.

Na vida e na Democracia – mesmo nesta precária que temos – é assim: paga-se, às vezes caro como é o caso, por decisões equivocadas.

Além de arcar com as consequências, todos os que não abandonaram as bandeiras na luta por um país decente, por uma Democracia digna desse nome e por uma República (que seja res pública e não res privada), tem muito o que fazer até 2018: construir uma alternativa verdadeiramente de esquerda, com participação e protagonismo populares, que não se confunda com esse esquerdismo oficial que nos governa e que nada tem de esquerda e que está fadado a sofrer uma fragorosa e acachapante derrota em 2.018.

Como, aliás, já antecipam as derrotas do kirchnerismo, na Argentina, e a mais recente, do chavismo, na Venezuela, sob a chefia do hilário e caricato Nicolás Maduro. O lulismo, no Brasil, fechará o ciclo em 2.018.

P.S. Aviso aos navegantes que buscam uma bússola nesses dias tempestuosos: o lulismo nunca foi de esquerda. Dói menos reconhecer. Todos (as) os (as) que, algum dia, acreditamos nisso nos enganamos. 

 

Da Redação