Sobrinho neto do primeiro presidente Senegalês, Leopold Senghor, morto aos 95 anos, em 2.001, Augustin disse que o Brasil não pode vencer a luta por igualdade racial “sendo uma ilha no mundo”.
“Há necessidade de um intercâmbio entre as políticas de igualdade racial no mundo. Nós, na África, precisamos nos isnpirar na experiência do Brasil com o intuito de resolver os nossos problemas. A África serviu ao desenvolvimento para a comunidade internacional, por isso deve esperar os meios necessários ao seu desenvolvimento”, afirmou.
A Ilha, patrimônio da Humanidade, com cerca de 1,8 mil habitantes, está a 3,5 km da capital senegalesa e a 3 horas e meia de vôo de Recife e a 5 horas de Salvador, na Bahia. Era lá, entre os séculos XV e XIX, que os traficantes de escravos os mantinham até embarcá-los para as Américas. Por isso, a Ilha tornou-se um lugar de peregrinação para os afro-descendentes brasileiros e americanos.
Em abril do ano passado, Lula esteve em Gorée, visitou o Mercado de escravos e pediu perdão à África: “Milhões deixaram este continente por essa ‘porta do nunca mais’: a porta da morte”, disse Lula, à época, referindo-se à passagem pela qual os escravos eram jogados nos navios negreiros que atravessavam o Oceano Atlântico.
Na visita ao Brasil, para participar do Encontro “Igualdade Racial: Políticas nacionais e internacionais”, realizado no Museu Afro-Brasil, no Parque do Ibirapuera, Augustin lembrou a presença de Lula na Ilha.
Segundo o prefeito de Gorée, sendo um país composto por negros, alguém poderia questionar que contribuição o Senegal poderia dar no intercâmbio de políticas pela igualdade racial.
Entretanto, para ele, há muitas situações em que a experiência é possível e necessária e lembrou que a França sob o pretexto de resolver os problemas da imigração clandestina criou a noção a noção de “imigração escolhida”. “Eles escolhem os melhores estudantes senegaleses para as universidades franceses, e estes, ao invés de voltarem aos eu país, são integridades. Para mim, essa é uma forma de desigualdade racial”, afirmou.
“Nós temos cooperações distintas com países como EUA e França. Com o Brasil nossa cooperação pode aumentar tomando por base nossa cultura comum. Com o Brasil temos um elo mais interessante”, concluiu, lembrando que muitos brasileiros são originários da região Oeste da África e seus ancestrais passaram pela Ilha de Gorée
Augustin é primo do músico Jean Pierre Senghor, que vive no Brasil e já foi tecladista da banda carioca Cidade Negra.

Redação – Foto: www.mairiedegoree.org/tourisme.php5