Estima-se que existam no Brasil cerca de um milhão de ciganos, de acordo com a Associação de Preservação da Cultura Cigana no Brasil, entidade que reúne as várias tribos deste povo de vida nômade tradições milenares. Com uma bancada representativa e articulada na 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, os ciganos reivindicam do Governo mudanças nos sistemas de saúde e educação para garantir atendimento adequado às comunidades.
Para Yaskara Guelpa, representante da Associação, só agora o Estado começa a reconhecer as características especiais do povo cigano e se propondo a discutir políticas públicas. “Até há pouco, nós sequer éramos recebidos nos gabinetes. Agora estamos sendo ouvidos com mais freqüência”, contou.
Na área da saúde, o povo cigano querem respeito as suas tradições culturais. Uma mulher cigana só aceita ser atendida para exames ginecológicos por profissionais do mesmo sexo. Por causa da resistência dos postos de saúde e hospitais a esta posição,mulheres ciganas acabam morrendo por complicações no parto ou desenvolvendo doenças que poderiam ser prevenidas.
Na Educação, o maior problema é com relação a matrícula das crianças em idade escolar. Os grupos mudam de acampamento de três em três meses, em média, o que acaba prejudicando as crianças que ficam fora da rede escolar. “As que conseguem matrícula, muitas vezes são discriminadas nas salas de aula pela falta de entendimento dos próprios professores sobre os hábitos ciganos”, completa.
Guelpa disse que o preconceito contra o povo cigano é ainda muito forte: “As pessoas ainda acreditam em mitos como o de que cigano rouba criança. Isso não é verdade. Foi um mito construído ao longo do tempo com base na época em que muitas mulheres entregavam os filhos indesejados para as ciganas criarem”, concluiu.

Da Redacao