Não estamos nos propondo a negociar nossos valores imateriais e sagrados, estamos nos propondo a fazer o que sempre fizemos pensar a política e propor a política no âmbito social, ambiental, econômica e cultural que contemple a nossa comunidade levando em consideração as realidades aos quais estamos condicionados/as.
Os Orixás, Nkices e Voduns não deram e nem autorizaram a darem seus preços. Os candomblés tradicionais e comprometidos religiosamente com a nossa Ancestralidade Africana não farão e nem mudarão seu ciclo de festas regido pelo desiderato das forças da natureza para receber turista, afinal terreiros de candomblés não são balés folclóricos.
Tampouco, estamos dispostos a banalizar nossos espaços naturais que nos transformam verdadeiramente em religiosos em replicas de shopping ou monumentos turísticos para visitação e consumo.
Nós queremos o marketing do respeito, do cultural como símbolo de resistência do legado de um povo e do resguardo do sagrado que nos move.
Estamos nos propondo a ensinar a sociedade a superar o racismo, combatendo e eliminando as diferenças sócio-raciais e promovendo a igualdade com nossa concepção de mundo partindo do principio ancestral afro-brasileiro e para que isto se efetive precisamos, sobretudo de representações comprometidas e sensíveis com nossa realidade afirmando que os espaços de poder também são nossos.
Por isso garantir Sérgio São Bernardo Ogã de Yansã e filho de Xangô para Deputado Estadual 13.310 e Valmir Assunção homem negro do MST comprometido com a luta para Deputado Federal 1310, é dizer que confiamos e acreditamos em nós mesmos/as e nos nossos potenciais reafirmando nossa capacidade de construir e fazer a política que valorize nossa cultura, que respeite nossa ancestralidade e que atenda todo e qualquer cidadão de forma legitima e igualitária.
O título original do artigo é “Povo de Santo? Qual a nossa representação política?”

Rebeca Tárique