O filósofo alemão Wolfgang Fritz Haug disserta como nas últimas décadas a sensualidade e o visual pesam na venda de uma mercadoria e para alguns jornalismo é mera publicidade e dentro deste contexto surgem os negros e outras minorias.
Alguns diretores montam equipes de telejornais como se escolhessem membros do N´Sync. É possível ver, além do negro, outros tipos compondo um quadro “politicamente correto”, mas de ética questionável.
Então, a programação de alguns canais parece um reality show sem fim, um retrato colorido da realidade que se mistura com atrações de entretenimento. No passado, a crença de que negros causavam o repúdio de grandes anunciantes, ou mesmo de sua inferioridade intelectual, tornava mais árdua a sua ascensão diante as câmeras.
Porém, atualmente, veem-se em alguns programas pessoas negras sem aptidão para apresentar, mas que aparecem para cumprir uma espécie de cotas e os publicitários compram o horário como quem investe visando ao lucro dado pela responsabilidade social.
Há nesse panorama aqueles que venceram barreiras e conquistaram seu espaço pela qualidade e também esforços de alguns membros nas alas superiores que apresentam uma postura progressista ansiando por igualdade. Este processo é, inclusive, mais saudável ao capitalismo, tanto que minorias cada vez mais têm nichos próprios e interagem com outros no mercado.
Essa visão pela aparência do negro e outras minorias para determinar quem apresenta as notícias é tão danosa quanto aquela que coloca em dúvida a qualidade de um jornalista em decorrência de suas origens e trata tanto negros, brancos, asiáticos e outros grupos como meros joguetes no tabuleiro. Os produtos estão dispostos na prateleira e, como canta Elza Soares, “A carne mais barata do mercado é a carne negra.”
*O título original do artigo é “Preconceito: apenas um produto negro no telejornalismo”.

Gabriel Leão