Salvador – Pressionado pela repercussão do episódio em que funcionários da Prefeitura sob o comando da Secretária de Planejamento Kátia Carmelo, demoliram o Terreiro Oyá Onipó Neto, no Imbuí, o prefeito João Henrique, do PMDB, pediu desculpas ao povo de santo.
“Reiteramos em público nosso pedido de desculpas ao povo-de-santo pelo erro isolado cometido por funcionários da Sucom”, afirmou, dizendo esperar que o caso seja encerrado. A demolição do Terreiro no último dia 27/02 foi feita por agentes da Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom) e provocou o início da greve de fome do líder religioso Marcos Rezende, que hoje entra no seu sexto dia (veja matéria). Agora, com o pedido de desculpas, é possível que Rezende decida encerrar o protesto, porque a retratação era uma das suas exigências.
Passeata
Também nesta quinta-feira (05/02) uma passeata, organizada pela comunidade do candomblé, saiu do Campo Grande até a Praça Municipal para protestar contra a intolerância religiosa e a especulação imobiliária, que segundo alguns, está por trás das motivações de quem mandou demolir o Terreiro.
Na Câmara, a vereadora Olívia Santana (PCdoB) pediu o cancelamento da entrega da
medalha Maria Quitéria a Kátia Carmelo. “Fiquei indignada com a justificativa de que o terreiro estava localizado em um local público e com a desculpa de que ela só cumpriu o dever dela. Essa Casa deve suspender a concessão da medalha Maria Quitéria que seria dada a ela”, afirmou Olívia.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro Ameríndia, Leonel Monteiro, grupos imobiliários estão por trás da violência contra o Terreiro. “Foi uma ação para beneficiar os ricos empreendimentos que, também naquela região, avançam sobre os terrenos dos pobres com o veneno da intolerância religiosa. Como se não bastasse o chumbo e o chicote que usaram contra os nossos antepassados, querem agora arrasar nossos terreiros com os tratores da arrogância”, afirmou.
Durante a passeata, os manifestantes vestidos de branco, cantando e dançando pararam em frente à Secretaria Municipal da Reparação e agradeceram, por meio de uma salva de palmas, o apoio no caso da “agressão ao povo do candomblé”. “Temos que lutar contra a injustiça e a intolerância dos nossos inimigos que não querem nos respeitar. Estamos cansados de atitudes
arbitrárias que sempre são a favor de uma minoria mais privilegiada”, afirmou Marcos Rezende, coordenador do Coletivo de Entidades Negras, que apesar de em greve de fome, participou da manifestação.

Da Redacao