Rio – Um dos advogados do Banco do Banco Itaú, cujo nome não foi identificado, teve comportamento desrespeitoso e abertamente racista perante a família do jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, durante a audiência em que foram ouvidas as testemunhas de acusação realizada na semana passada no 2º Tribunal do Júri do Rio.
“Ele teceu comentários muito maldosos e em tom de extrema arrogância”, contou Maysa Evangelista, advogada constituída pela família e que funciona como assistente de acusação do Ministério Público.
Jonas, 34 anos, foi assassinado com um tiro no peito, às vésperas do Natal do ano passado, pelo segurança Natalício de Souza Marins, depois de ficar retido na porta giratória da agência da Avenida Rio Branco com Nilo Peçanha, centro do Rio.
A advogada disse ter ficado indignada com a atitude do preposto do Itaú. “Foi terrível”, afirmou, acrescentando que um dos irmãos do jornaleiro assassinado, Josias, chegou a se dirigir a ela, com lágrimas nos olhos, pedindo-lhe que tomasse providências. Afropress não conseguiu informações sobre a identidade do advogado que representou a instituição na audiência.
Entre os comentários feitos pelo advogado, “um rapaz branco, cabelos loiros e de olhos azuis”, foi o de que “como podia ter havido racismo com dois negros”, aludindo ao fato de o assassino também ser negro.
Segundo Maysa, contrastando com a postura do representante do Itaú, os advogados do segurança tiveram comportamento cordial. “Foram respeitosos o tempo inteiro, inclusive com a família presente. Mas o advogado do Itaú, foi de uma arrogância revoltante. Fez o tempo todo, comentários desrespeitosos e de caráter racista. Enquanto ouvia o depoimento das testemunhas de acusação fazia caras e bocas e isso posso dizer porque testemunhei”, afirmou.
Maysa, que é criminalista com certa experiência no acompanhamento de processos de homicídio, disse que nunca presenciou uma atitude tão desrespeitosa com a família de uma vítima, por parte de um colega perante o Tribunal do Júri. “Fiquei chocada”, concluiu.
O assassino foi denunciado por homicídio qualificado por motivo fútil e continua preso. A advogada anunciou que ainda esta semana entrará com ação indenizatória contra o Itaú. Ela negou que o Banco esteja dando qualquer assistência à família da vítima e também informou que jamais foi procurada para qualquer acordo. “Quem deu apoio a família foram as entidades do Movimento Negro e pessoas como o doutor Adami (Humberto Adami, advogado presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial). “O Banco não me procurou”, concluiu.

Da Redacao