E vendo a chegada do Natal, posso dizer que ele tem melhorado bastante em termos de relações humanas e se imposto diante da gana dos mercados comerciais e até mesmo, nas mensagens de massa como aquelas que passam na TV principalmente.
Na verdade eu gostaria de poder curtir sozinho esses momentos, mas talvez fosse meu espírito humano querendo passar os outros para trás ou se colocando como prioridade única diante da tradição indígena de compartilhar tudo isso, como bem comum gerado pelo grande espírito da Terra.
E então decidi meditar nos dogmas do cristianismo e na pessoa maior desse Natal. 25 de Dezembro como data, pensem bem, data do nascimento de Jesus Cristo.
Lembro quando numa Igreja Evangélica na nossa Aldeia, vi um primo mais velho entoando uma canção de Natal que dizia: “eu não tenho presente…”, e aquilo ficou sempre na minha mente como um significado de participar do Natal ao longo da minha vida.
Mas agora quando vejo uma Belém sitiada no oriente médio, entre entraves políticos e religiosos, trato de lembrar também das muitas mesas fartas em bebidas e comidas, que terão seus momentos de glória, ao encher o bucho de quem ao longo do ano nunca lhe faltou o que comer. Fartura. Fartura que não significa saúde alimentar ou qualidade de vida, mas apenas esnobação para com o alimento sagrado do Grande Criador e falta no mínimo, de solidariedade com quem não tem o que comer.
Mas o Natal chegando, abre em seguida um caminho para as perspectivas que ele trará como presente, para o ano de 2007. Ano com um novo governo, mas com o mesmo Presidente. Ano da Amazônia estabelecido pelo Conselho Nacional dos Bispos do Brasil e ano da Água, estabelecido por vários movimentos indígenas. Ano em que o Rio de Janeiro vai receber os Jogos Panamericanos, cujo fogo simbólico nascerá nas terras mexicanas dos Aztecas. Ano em que os Povos Indígenas esperam nomear ou pelo menos indicar, um índio brasileiro para ter assento no Fórum Indígena das Nações Unidas. Ano em que o Governo do Brasil poderá nomear pela primeira vez na história do nosso País, sem medo de ser feliz, um Índio como Presidente da Funai…
São sonhos. São metas. São novos embates, combates que visa o bem comum, próprio do Natal solidário no repartir dos pães, da paz e do espírito de luta. Uma Igreja que não apregoa o fortalecimento espiritual como forma de vida melhor, não pode ser forte, mas apenas local de reuniões sociais domingueiras.
Com toda sinceridade, vamos meditar, mas vamos nos preparar para lutar por dignidade humana, onde a base política é o respeito a nossa voz e nosso voto. Não podemos admitir que eleitos sem credibilidade alguma, se sintam no direito de ter melhores salários. Vamos assistir, mas também fiscalizar, protestar e ganhar. O Grande Ituku-Óviti nos ama como nosso Criador, mas detesta a preguiça, a desonestidade e o comodismo e a omissão.
Um Natal feliz, alegre, sorridente e companheiro!
Agora uma homenagem ao aniversariante. Como? Sentindo a brisa do calor, da chuva e olhando as estrelas, viajar, caminhar entre elas como parte pequena do todo, mas parte mais que importante.. .
E assim, com o coração, simplesmente agradecer!

Marcos Terena