Itapecerica da Serra/SP – O jornalista e sacerdote Walmir Damasceno, diretor do Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu (ILABANTU), será o coordenador de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de Itapacerica, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo.

Damasceno, que chegou a ser convidado para assumir a chefia da representação da Fundação Palmares em S. Paulo, sendo preterido após as mudanças na autarquia vinculada ao MINC, deverá tomar posse ainda esta semana com a publicação do seu nome no Diário Oficial do Município.

A Coordenadoria tem status de Secretaria, embora, ainda não se saiba quais os recursos previstos no orçamento deste ano. O sacerdote e jornalista se disse surpreso com a indicação do seu nome pelo prefeito Amarildo Gonçalves, o Chuvisco, do PMDB.

Damasceno foi o primeiro presidente do Conselho Municipal do Negro – Conegro, de Itapecerica da Serra. Segundo ele “independente do âmbito governamental, já é hora de tornar os programas mais objetivos no sentido de efetivar as garantias de igualdade que fazem parte das intenções da Carta Magna Brasileira e de aumentar a visibilidade da cultura negra, assim como, de todos os que têm se mantido à margem do poder na história do desenvolvimento social de nosso país”.

Em entrevista a Afropress, o sacerdote, jornalista e novo coordenador, falou da polêmica recente envolvendo o seu nome para a chefia da Fundação Palmares.

Veja, na íntegra, a entrevista.

Afropress –  O senhor foi convidado a ser o chefe da representação em SP da Fundação Palmares pelo ex-presidente Elói Ferreira. Chegou a responder afirmativamente?

Walmir Damasceno –  Sim houve uma resposta afirmativa ao convite, tanto que deixei alguns projetos do ILABANTU aguardando porque haveria uma considerável modificação na minha rotina.

Afropress – Com a saída do ex-presidente, o senhor parece ter ficado num limbo porque, claro, com novo presidente, o convite estava suspenso. Como viu a mobilização de religiosos e setores da comunidade pela manutenção do convite?

WD – Não só fiquei no limbo, como já havia comunicado as entidades ligadas ao meu trabalho, muitos dos meus seguidores, entre adeptos e vivenciando das diversas e variadas tradições de matriz africana no Brasil, especialmente a diretoria do Ilabantu, porque precisava tomar decisões imediatas. A mobilização foi natural, pessoas que acompanham meu trabalho se mobilizaram e fiquei muito agradecido, especialmente porque foi algo espontâneo.

Afropress – Diante da decisão do novo presidente da Palmares de indicar o nome da escritora Cidinha da Silva, qual está sendo a sua postura e reação?

WD – Estou tranquilo, claro que houve a frustração de uma expectativa, porque havia visualizado um trabalho em prol de tudo o que acredito que é a minha vida. Mas a vida anda e sigo em frente respeitando os poderes constituídos e com espirito republicano.

Afropress – A nota lançada pelo Ilabantu, que está causando certo mal estar em alguns setores pela forma como foi noticiada, teve a sua participação? Ou foi uma iniciativa de dirigientes do Instituto, muito mais uma ação em solidariedade ao senhor?

WD – A nota partiu de um membro da diretoria, não tive participação, foi um fato isolado. Tão pouco posso recriminá-lo é meu amigo pessoal, porém é uma reação que depende de cada personalidade, eu prefiro não me manifestar, mas nem todos são assim.

Afropress – O que espera da gestão da escritora Cidinha da Silva na chefia da representação da Palmares em S. Paulo?

WD –  Espero simplesmente que seja produtiva para a comunidade negra de São Paulo e, especialmente, que valorize as Comunidades Tradicionais de Povos de Matriz Africana, a ponto de defendê-las dos contínuos ataques que vem sofrendo especialmente no campo tradicional. Que ela seja uma pessoa próxima das bases. É apenas isso.

 

Da Redacao