S. Paulo – Continuam presos no Centro de Detenção Provisória Independência da capital, o autônomo Rogério Costa Andrade, 27, o designer Eduardo Brandão Jarussi, 26, e o vendedor Emerson de Almeida Chieri, 34, todos membros da Organização nazi-racista White Power, que prega a supremacia branca, e o ódio contra negros, judeus, nordestinos, imigrantes ilegais e homossexuais.
Os três, indiciados por crime de racismo – incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional – foram presos na madrugada de segunda-feira quando pregavam cartazes contra a política de cotas.
O crime de racismo no Brasil é considerado imprescritível e inafiançável desde a Constituição de 1.988 e, se condenados, os acusados podem pegar de 1 a 3 anos de prisão. A Lei 7.716/89, também prevê penas de até cinco anos de reclusão para quem “fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fim de divulgação do nazismo”.
Os cartazes encontrados com os presos incitam os brancos a reagir às políticas de ação afirmativa e cotas nas universidades. “Vestibulando branco. Hoje eles roubam sua vaga nas universidades públicas. E chamam isso de direitos iguais. Se você não agir agora, quem nos garante que eles não roubarão vagas nos concursos públicos? Devemos assegurar a existência de nossa raça e o futuro de nossas crianças brancas”.
Entre os cartazes também está um em que simulam uma prova de vestibular feita por um negro contendo erros grosseiros, mas com o carimbo “aprovado”.
O delegado assistente Rui Diogo da Silva, do 36º DP, do bairro do Paraíso, onde a ocorrência foi registrada, investiga a participação de outros envolvidos.
Desde 2.004 a White Power é investigada pelo Ministério Público de S. Paulo. O procurador Sérgio Suiama, do Ministério Público Federal, já pediu a Justiça a quebra do sigilo dos dados telemáticos da organização, porém, a página continua no ar na Internet.
Seus responsáveis em um evidente desafio às leis, à Justiça e às autoridades brasileiras passaram a estampar fotos da Delegada de Crimes Raciais de S. Paulo, Margarette Barreto, e do editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira.
As prisões dos nazi-racistas aconteceram na esquia da avenida Lins de Vasconcelos com a professor Noé Azevedo, nas proximidades da Faculdade Unip e do metrô Vila Mariana, zona Sul de S. Paulo. Eles já havia afixado 20 cartazes de cunho racista quando foram surpreendidos pelos policiais militares. Um dos acusados – o vendedor Emerson de Almeida Chieri – tem passagens na polícia por roubo, furto e posse de droga. Além de cartazes, ele estava com um soco inglês.
Segundo o delegado Rui Diogo da Silva, as investigações para identificar outros membros da organização nazi-racista vão continuar.

Da Redacao