Brasília – Oito meses depois de aberto por recomendação do procurador geral da Universidade, Jose Weber Holanda, o processo administrativo disciplinar para apurar a prática de crime de racismo pelo professor Paulo Kramer, do Curso de Mestrado em Ciências Políticas, continua sem solução.
Os membros da Comissão nomeada pelo reitor Thimothy Mullolhand – Carla Costa Teixeira, da Antropologia, José Leonardo, da Física e Alexandre Bernardino, do Departamento de Direito – ainda não conseguiram ouvir todas as testemunhas. “Faltam ainda serem ouvidas três ou quatro testemunhas”, disse o coordenador da Comunicação da UnB, jornalista Rodrigo Caetano.
Caetano não soube dizer quantas vezes o prazo para apuração pode ser prorrogado. O fato é que quando foi constituída, em julho do ano passado, o prazo previsto era de 30 dias, prorrogáveis por mais 30.
A Afropress não conseguiu localizar o procurador José Weber Holanda nem o reitor Thimothy para falar sobre o caso. O professor Alexandre Bernardino, que preside a Comissão, também não foi localizado.
Caetano disse que, com o reinício das aulas, a partir do dia 12/03, o caso deverá ser retomado e alegou que a apuração está transcorrendo dentro do que prevê a Lei 8.112/90, que dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União.
Na Universidade, colegas de Kramer que preferem omitir seus nomes, consideram que o processo administrativo disciplinar “não deve dar em nada”. Lembram a influência e o prestígio do acusado e o espírito de corpo existente na Universidade.
Um dos dois outros membros – a professor Carla Teixeira – recentemente em um jornal de grande circulação desdenhou do fato de um aluno negro ter conseguido a revisão de sua nota após acusar o professor pela prática de racismo. Carla defendeu uma reação da Universidade contra a onda do “politicamente correto” associada às denúncias de racismo no campus.
Caso Kramer
Kramer, que é consultor político do Congresso, é acusado por alunos de ter se referido a população negra de forma pejorativa e depreciativa. Ele chamou o estudante Gustavo Amora, do Curso de Ciências Políticas, de “negro racista” e membro da “Ku Klux Klan negra”, em sala de aula, no primeiro semestre do ano passado. Antes já havia se referido aos negros como “crioulada”.
Ele nega ser racista e apresentou como álibi dois ex-alunos negros que saíram em sua defesa. Se condenado, Kramer poderá sofrer penas que vão da advertência a exoneração do cargo.
Ao autorizar a abertura do processo, o reitor Thimothy, que fez campanha em defesa das cotas, lembrou que “racismo é crime e fere a Constituição”. Não quis, porém, na ocasião, se manifestar sobre o episódio. “O caso está em aberto. A abertura de sindicância é rotineira, mas essa é a primeira denúncia de racismo”, afirmou.

Da Redacao