Já disse nosso tio gabonês Théophile Obenga que a palavra “filosofia”, ciência do conhecimento e do saber, tem como étimo remoto o antigo egípcio seba, conhecimento, vocábulo do qual derivou o grego sophia. E para os gregos da Antiguidade, segundo o nosso tio, o Egito era o único país a gozar de uma sólida reputação nas ciências e no saber filosófico. Tanto que Pitágoras, Platão e tantos outros sábios helênicos, que sabiam das coisas, fizeram muitas viagens de estudos ao Vale do Nilo. Surgiu, daí, então, com força, uma profunda corrente civilizatória que deu à Humanidade progressos consideráveis – corrente que começa no Egito, alcança o mundo grego, faz nascer a Escola de Alexandria, passa ao mundo árabe e chega ao mundo europeu antes da Renascença.
Os antigos egípcios chamavam seu país de Kemet, ou seja, “a terra negra”, em oposição à “terra vermelha”, o deserto não fertilizado pelo Nilo. Segundo nosso primo afro-americano Molefi K. Asante, antigos povos africanos, antes de os gregos darem o nome de Aegyptos (Egito) à sua terra, chamavam-na, carinhosamente, “Kemet”, a terra preta e dos pretos. E, até hoje, segundo o primo, “toda sociedade africana deve algo a Kemet”, principalmente nos mitos primordiais que orientariam seu modo de rememorar os ancestrais, educar os filhos e principalmente preservar os valores sociais.
Na atual República de Gana, por exemplo, o povo Axanti é talvez um dos que mais guardam, em suas concepções filosóficas, antigas heranças egípcias, como a noção de kra, força vital (do egípcio ka), correspondente ao afro-brasileiro “axé” (do iorubá àse), ao congo mooyo, e a múntu, termo que, também em congo, significa a força vital realizada, existente, pulsante, o ser enfim.
Ora, pois pois… Múntu lembra “Ubuntu”, não lembra? Pois vocês sabem de onde vem e o que quer dizer “Ubuntu”? Não? Vem do cabinda (dialeto congo) bù-untu, significando “bondade”, “amabilidade”, “caridade”, “fraternidade”, “solidariedade” etc.
Pois é: Hollywood e até o Bill Clinton (cf. O Globo, 14.07.07, lembramos agora!) acabam de descobrir a pólvora! Por isso é que precisamos do endereço da Jolie (sem o tal do Brad Pitt) . Pra ela vir tomar um vinho-de-palma com a gente, quando do lançamento do nosso “Dicionário da Antigüidade Africana” (Civilização Brasileira). Que está vindo por aí.
Reproduzido de Meu Lote – www.neilopes.blogger.com.br – com autorização do autor.

Nei Lopes