Porto Alegre/RS – O procurador gaúcho Jorge Terra (foto), que disputou uma vaga para desembargador no Tribunal de Justiça do Estado, não conseguiu os votos necessários para passar à segunda fase, porém, considerou os 20% obtidos, uma vitória e um estímulo para continuar.
“Dos quinze candidatos, eu e outros dois colegas colocamos nossos nomes à disposição da Ordem [Ordem dos Advogados do Brasil/RS] pela primeira vez. Outros tantos o faziam, no mínimo pela terceira vez, chegando a se identificar colegas que, pela nona vez, submetiam-se ao processo. Nesse quadro, ver meu nome constando de 20% das listas sêxtuplas apresentadas por cada um dos membros do Conselho foi um bom resultado”, afirmou.
No Rio Grande, apenas 16% da população é negra e, no Judiciário, segundo o procurador, dos 320 procuradores do Estado, há apenas dois negros, um dos quais, ele próprio. Na magistratura estadual, em cerca de 650 membros, há apenas um desembargador e um juiz de Direito. No Ministério público, apenas um promotor de Justiça.
Se tivesse sido escolhido, Terra se tornaria o segundo desembargador negro a ocupar uma cadeira no Tribunal de Justiça do Estado.
Votação
Segundo o procurador, após a primeira rodada de votação, que aconteceu no final do ano passado, seis conselheiros o procuraram estimulando-o a continuar participando das futuras votações e das atividades do Conselho.
“Dois deles e uma candidata que teve êxito disseram-me que, em primeira votação, desconheciam candidato que tivesse alcançado o patamar de 20% de votos. Percebo que, estando há pouco mais de um ano na Comissão de Direitos Humanos da OAB e participando pela primeira vez do certame supradito, é possível perceber que há espaço para crescer e para atingir resultado superior em ocasião futura”, acrescentou.
Terra agradeceu a entrevista feita por Afropress. “A reportagem fez-me pensar e repensar sobre meus compromissos sociais, sobre minhas posturas e iniciativas”, frisou.
O Procurador, que até novembro ocupou a Comissão de Direitos Humanos da Procuradoria Geral do Estado, da qual se desligou, continua, porém, na Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto da OAB gaúcha e na Rede de Direitos Humanos e de Segurança do Rio Grande do Sul.

Da Redacao