Brasília – O Procurador Geral do Trabalho em exercício, Otávio Brito Lopes, entrará com Ações Civis Públicas contra os cinco principais bancos de Brasília para garantir condições de igualdade entre homens, mulheres e negros no acesso aos postos de trabalho, condições salariais e ascensão profissional na rede bancária.
A decisão foi tomada após três meses de tentativas de negociação com as instituições financeiras. “Os representantes dos bancos não nos trouxeram resposta e não estou vendo chance de avançar em nível de negociação”, afirmou o Procurador-Geral.
O impasse nas negociações iniciadas há cerca de três meses, ficou evidente em reunião realizada esta semana, segundo o procurador, quando os representantes dos bancos não apresentaram propostas concretas visando eliminar a desigualdade comprovada pelos indicadores dos principais instituições de pesquisa do país.
Os estudos realizados durante todo o ano de 2004 e primeiro semestre deste ano, com o apoio do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cruzando os dados da População Economicamente Ativa do DF e as informações sobre o qual de pessoal dos bancos, demonstraram que o número de negros e mulheres empregados não corresponde à oferta de mão-de-obra.
Além de revelar a discriminação na contratação de funcionários, os dados levantados pelo MPT também escancaram o preconceito no momento da concessão de promoções aos funcionários, em que os brancos são sempre priorizados.
Na tentativa de corrigir as distorções apontadas em números que constam do Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidades no Mercado de Trabalho, lançado em abril passado, Procurador geral promoveu várias reuniões com representantes dos bancos, apresentando os números da pesquisa e propondo a contração e promoção de negros e mulheres para as vagas disponíveis a curto e médio prazo. As tentativas, entretanto, não tiveram êxito.
O Programa deverá se estender a outras capitais do país, com a avaliação dos bancos privados que atuam nos estados de Minas Gerais, S. Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Norte. Segundo o advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (IARA) e que lidera o movimento em busca do combate a desigualdade racial no mercado de trabalho, ainda este ano outros setores do mercado serão pesquisados.

Da Redacao