Salvador – O Ministério Público do Trabalho da Bahia entrou com ação civil pública contra o Banco Bradesco por discriminação racial e estética, porque a empresa proíbe o uso de barba por empregados e impõe normas às bancárias que não podem usar cabelo natural quando se trata de pessoas de diferentes raças que não a branca”.

De acordo com o procurador Manoel Jorge e Silva Neto, que entrou com a ação, ex-funcionários do banco afirmam em depoimentos que a proibição é aplicada por gerentes da instituição. “Usar ou não barba, cavanhaque, bigode ou costeleta não mostra nenhuma relação com maior ou menor eficiência no tocante à prestação de trabalho”, afirmou o procurador.

O Bradesco informou ao repórter, Luiz Francisco da Agência Folha, que não tinha conhecimento da ação e recusou-se a comentá-la. O repórter da Folha percorreu nesta sexta-feira três agências em Salvador. Em nenhuma havia funcionários com barba ou bigode. Nas agências Iguatemi e Pituba (Avenida Manoel Dias), haviam funcionários negros.

Na Agência Canela (centro), havia duas mulheres negras – ambas com chapinha (alisamento artificial). Manoel Jorge pede na ação que o Bradesco publique no primeiro caderno de um dos jornais de maior circulação da Bahia e em todas as redes de televisão aberta, em âmbito nacional, em horário anterior ao principal jornal de informações de cada rede, uma mensagem reconhecendo a irregularidade. Em caso de aceitação do pedido pela Justiça, o banco poderá ter de pagar multa diária de R$ 2 milhões.

Em caso de condenação em sentença final, o Bradesco pode ter que pagar uma indenização por dano moral de R$ 100 milhões referente à discriminação por traço estético, e R$ 100 milhões em virtude da prática de racismo. Os valores seriam revertidos a instituições filantrópicas com sede e administração na Bahia, indicadas na sentença.

Da Redacao