Brasília – O professor do Instituto de Ciências Políticas da UnB, Paulo Kramer, acusado de racismo por ter se referido pejorativamente aos negros “como crioulada” e chamado o estudante Gustavo Amora de “racista negro” e membro da “Ku Klux Klan negra”, reapareceu depois de dias de silêncio para negar que seja racista.
Na entrevista, utilizou o tradicional recurso, sempre usado nestes casos: fez-se acompanhar por dois ex-alunos negros, que assumiram a sua defesa e se dizem indignados pela denúncia dos colegas.
O técnico jurídico Carlos Antônio Mathias Conforte, 35 anos, e o assessor político Franco Nero Dias Marçal, 25 anos, dizem que souberam do caso pela imprensa durante o último final de semana e, correram até Kramer para se colocar à disposição para apoiá-lo. “Acho essa acusação infundada e leviana”, disse Conforte. “Ele (Kramer) costuma usar termos que nos aproxima da realidade. Em sala de aula, o professor não pode estar preocupado com o que pode ou não falar”, acrescentou Marçal.
O professor acusado, mais aliviado na companhia dos dois inesperados defensores, se disse preocupado com a repercussão do caso e ansioso pelo parecer do procurador geral José Weber Holanda, que deve indicar a abertura do Processo Administrativo Disciplinar.
O parecer deve ser entregue nesta quarta-feira, ao reitor Thimoty Mullholand, que decidirá sobre a abertura do processo. As penas previstas vão de advertência a exoneração do cargo.
Enquanto dois ex-alunos negros se prestam ao papel, historicamente conhecido de capitães do mato, versão 2006, começa a circular uma Carta Aberta dos Estudantes de Pós-Graduação, Gradução e ex-alunos da Universidade em apoio a denúncia e pedindo a instauração do processo. “Esperamos que a Universidade de Brasília mantenha seu pioneirismo de respeito às minorias sociais, abra o inquérito administrativo e faça o julgamento necessário para que casos como esses não se repitam mais em nossa instituição”, diz a Carta.

Da Redacao