Brasília – Depois de depor durante cerca de seis horas na Comissão que apura a denúncia de racismo em processo administrativo disciplinar aberto pela Universidade de Brasília (UnB), o professor Paulo Kramer, do Instituto de Ciências Políticas (IPOL), partiu novamente para o ataque e assumiu a condição de vítima: ele afirmou afirmou, sem explicar em nenhum momento de onde tirou a inusitada teoria conspiratória, que por trás da denúncia há uma agenda politicamente correta que ameaça a liberdade de expressão no país.
Kramer é acusado pelo estudante Gustavo Amora de ter se referido aos negros como “crioulada” e ao próprio Amora como “membro da Ku Klux Klan negra”, afirmações feitas em plena sala de aula e testemunhadas por toda a classe do curso de Mestrado. Ele justificou o uso do termo “crioulada”, alegando que não encontrou tradução mais adequada para a expressão “black under class”, usada por cientistas sociais norte-americanos para se referir aos negros pobres norte-americanos.
O presidente da Comissão, professor Alexandre Bernardino, preferiu usar de cautela ao falar do caso. “É um caso muito delicado, ainda precisamos ouvir muitas pessoas antes de elaborar o relatório final”, afirmou.
O próximo depoimento marcado é o da professora Lúcia Avelar, chefe do Instituto. A Comissão criada pelo reitorTimothy Mullholand tem prazo de trinta dias (já esgotado) renovável por mais trinta, para concluir os trabalhos. As punições previstas, em caso de Kramer ser considerado culpado podem ser de advertência, suspensão ou exoneração da Universidade.

Da Redacao