S. Luis/MA – A reitoria da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) abriu sindicância interna para apurar o caso da agressão racista do professor José Cloves Verde Saraiva, contra o estudante nigeriano Nuhu Ayúba, de 21 anos (foto) e também pediu ao Ministério Público Federal que entre no caso.
O professor humilhou o estudante dizendo que ele deveria voltar para a África, pois viviam em mundos diferentes e que aqui [Brasil] era civilizado, por conta de uma nota baixa do estudante em sua matéria. O estudante afirma ter escutado frases como “quantas onças você caçou no seu país?” e “você veio para cá em navio negreiro?”.
A namorada do nigeriano, Marinilde de Oliveira, afirma que o estudante passou a sofrer de depressão com as provocações. Ela disse que Ayúba também não contou à sua família a agressão racista sofrida no Brasil. “Ele é de família bem-sucedida na Nigéria. A mãe faz
Faculdade de Jornalismo e é psicóloga. Ele tem outros três irmãos que moram com a mãe em Bauchi, sua cidade de origem, e eles ainda não sabem o que aconteceu aqui”, contou.
Agressões
Segundo colegas da Universidade, que estão se mobilizando num abaixo assinado na Internet, em que denunciam racismo na UFMA, o professor afirmou mais de uma vez que Ayúba deveria “voltar à Africa” e “clarear a sua cor”. Por meio das redes sociais alunos do Curso de Engenharia pedem o afastamento de Saraiva. Uma petição pública já reúne mais de 4 mil assinaturas.
“Acho que isso pode não dar em nada na faculdade, mas espero que a Justiça faça alguma coisa. Meu advogado abriu um processo criminal contra o professor. Mesmo com tudo isso, não vou voltar para a Nigéria agora, tenho que terminar o curso. Só volto para lá depois, para ajudar meu país. Gosto muito do Brasil e o que consegui é uma oportunidade. Mas meu coração está na Nigéria, é meu povo, é meu país, mas vou ficar aqui até terminar o curso”, afirma o estudante.
Inquérito na PF
Seu advogado, Nonnato Massom, informou que aguarda providências da UFMA e defendeu o afastamento imediato do professor. Ele também pediu ao Ministério Público Federal que determine à Polícia Federal a abertura de inquérito.
Natural de Bauchi, a nordeste de Abuja, a capital da Nigéria, Ayúba fixou residência em S. Luis para estudar Engenharia Química, por meio do Programa de Estudante-Convênio de Graduação (PEC-G), do Ministério da Educação, que oferece oportunidades de formação superior no Brasil para alunos de países em desenvolvimento.
“Nunca passei por uma humilhação como essa na minha vida, me senti muito mal. Essa pessoa não sabe o que faz, e é só ele que faz isso. As outras pessoas aqui gostam de mim, me querem muito bem”, acrescenta o estudante.
As desculpas do agressor
O professor divulgou uma nota à imprensa do Maranhão em que pede desculpas pelo ocorrido e alega ter sido mal interpretado. Na Nota, porém, a emenda saiu pior que o soneto porque, além de nada esclarecer, se afirma “pardo como os meus familiares, e durante toda minha existência jamais proferiria tal insulto”, e ainda insiste no tom de repreensão ao estudante como se fôsse ele a vítima.
Veja a matéria do Jornal Nacional, da Rede Globo, edição de 04 de julho.

Da Redacao