Brasília – Embora tenha partido da própria Presidente Dilma Rousseff, a garantia de que o Programa Ciências sem Fronteiras dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação contemplaria o critério étnico-racial, adotando cotas na distribuição das 75 mil bolsas disponíveis, até o momento isso não ocorreu em nenhuma das 10 mil já concedidas.
Segundo o reitor José Vicente (foto), da Universidade Zumbi dos Palmares, o Programa prevê a concessão de bolsas para qualificação no exterior para cursos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado. A exigência é de que o candidato fale inglês fluente. Até agora “no black”, afirma o reitor.
Promessa
Para cobrar da Presidente a promessa feita durante uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, do qual faz parte, Vicente iniciou uma campanha pela inclusão de negros no Programa e, na segunda-feira (26/03), foi recebido pelo presidente em exercício, o deputado Marco Maia, Presidente da Câmara dos Deputados. Da audiência participou o diretor executivo da Educafro, Frei David Raimundo dos Santos.
Maia se comprometeu a ajudar na marcação de uma reunião com os ministros Aloizio Mercadante e Marco Antônio Raupp, respectivamente, da Educação e da Ciência e Tecnologia.
“Nós estamos fazendo uma pressão possível para abrir a participação no Programa. Nosso objetivo é que nas regras desse programa já houvesse o marco legal, o que não aconteceu”, acrescenta.
Providências
Segundo o reitor da Palmares, quando levou a proposta Dilma a recebeu de forma muito positiva. “A Presidente Dilma foi enfática: isso é justo, isso é necessário. Mercadante você tome as providências”, conta o reitor.
O Ministro da Educação, que está com Dilma na Índia participando da Cúpula dos BRICs – o grupo de países emergentes, que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – porém, não tomou providência alguma e o reitor disse que assim que Mercadante retornar solicitará uma audiência para que ele receba uma “comissão de negros”.
Na mesma segunda-feira (26/03), em que foi recebido pelo Presidente em exercício, Marco Maia, o reitor participou de uma Audiência Pública no Senado, convocada pelo senador Paulo Paim, com representantes da CAPES e CNPq, instituições de fomento do MEC e do MCTI, que se comprometeram a levar o assunto aos respectivos ministros.
“Foi um erro. De fato o Programa não pode repetir esse equívoco. Essa é a futura classe dirigente e lá não estão negros. Vamos ver a repetição de mais do mesmo”, afirmou.
De acordo com o reitor da Unipalmares, o “esquecimento” dos ministérios da Educação e de Ciência e Tecnologia aconteceram apesar de nos últimos anos 400 mil jovens negros terem ingressado no Ensino Superior, por meio da política de cotas e ações afirmativas adotadas pelas próprias instituições e pelo Pró-Uni.
O Programa prevê a distribuição de Bolsas para 30 Universidades em países, como Polônia, Alemanha, Áustria, Austrália, Bélgica, Argentina, Canadá, Chile, China, Coréia do Sul, Dinamarca, Escócia, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, Inglaterra, Grécia, Japão, França, Holanda, Hong Kong, Itália, México, Suécia, Suiça, Nova Zelândia, Porto Rico, Portugal e República Tcheca.

Da Redacao