Canoas/RS – Trinta e três jovens pobres e negros receberam certificados na Escola Municipal de Ensino Fundamental Erna Wurth, conhecida como CAIC, no bairro Guajuviras, depois de concluírem neste mês de dezembro, a participação em sete oficinas oferecidas pela Agência Boa Notícia Guajuviras (ABNG). As oficinas incluiram conhecimentos sobre Comunicação Cidadã, Webdocumentário, WebTV, Rádioweb, Fotobrafia, Internet e Práticas Jornalísticas.
O projeto, que teve o apoio da Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania de Canoas – cidade da região metropolitana de Porto Alegre – do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e da Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), é semelhante ao projeto “Comunicadores Populares e a Promoção da Igualdade Racial” proposto pela ONG ABC sem Racismo, com apoio de Afropress, e que foi vetado pela Secretaria de Cultura do Governo de S. Paulo.
O “Comunicadores Populares” – que previa a capacitação de jovens pobres e negros da periferia de S. Paulo, que trabalham em rádios e jornais comunitários, bem como estagiários de jornalismo das Faculdades públicas, beneficiários das políticas de ações afirmativas e cotas teve o apoio da Assembléia Legislativa que, por iniciativa do deputado Vicente Cândido (PT/SP), destinou R$ 80 mil por meio de uma emenda parlamentar, aprovada no orçamento deste ano.
A liberação do dinheiro, porém, foi barrada por parecer da Consultoria Jurídica da Secretaria, na véspera da data para assinatura do convênio, em atitude que a direção da entidade considerou um veto político.
Projeto de Canoas
Em Canoas, as oficinas foram desenvolvidas com a participação de dezessete professores da área de comunicação da Universidade. Os participantes, com idade entre 15 e 24 anos, tornaram-se a primeira turma de jornalistas-cidadãos do Guajuviras.
Durante as oficinas que duraram quatro meses foram trabalhados conceitos de comunicação cidadã e tecnologias para produzir e disseminar conteúdos.
Segundo Gabriel Moraes de Lima, 24 anos, o projeto serviu para que tivesse um novo olhar para o bairro onde vive. “Foi a minha primeira oportunidade de lidar com equipamentos como máquina fotográfica e de vídeo e a primeira experiência como repórter-cidadão. Mudou a minha vida e o jeito de ver as pessoas, consigo ver o lado bom de cada um”.
Para Andrea de Freitas, coordenadora Geral da ABNG, valeu todos os esforços para implementar o projeto. Capacitar os alunos para as novas tecnologias, aliada a uma visão humanista do mundo foi o grande desafio.

Da Redacao