Rio – Começa a partir das 9h desta quarta-feira, no 2º Tribunal do Júri do Rio, o julgamento do vigilante da Protege Natalício Marins, assassino confesso do jornaleiro negro Jonas Eduardo de Souza, 35 anos, (foto) morto com um tiro no peito na agência do banco Itaú, que fica na esquina da Avenida Rio Branco com Nilo Peçanha, no centro do Rio, no dia 22 de dezembro do ano passado.
O Promotor Paulo Rangel pedirá a condenação do acusado e acredita que a pena deva ser superior a 16 anos. “Pedirei uma condenação dura e acredito numa condenação. O motivo foi fútil, uma discussão banal. Acredito que será condenado até 18 anos pelo motivo fútil e por causa da gravidade do fato”, afirmou Rangel. Para homicídio qualificado, o Código Penal prevê penas que vão de 12 a 30 anos de prisão.
Jonas, que era cliente da agência há 10 anos, foi assassinado quando tentava passar pela porta giratória da instituição. Foi barrado. Quando conseguiu, depois da interferência do gerente, o vigilante o chamou para a briga e atirou. Como se trata de crime contra a vida, os juízes serão sete jurados que comporão o Conselho de Sentença e que já foram escolhidos por sorteio pelo presidente do Tribunal do Júri, juiz Noronha Dantas. A critério da defesa e da acusação jurados poderão ser impugnados, segundo o promotor. Ele próprio pretende analisar a postura dos jurados antes de decidir se os aceita no Conselho.
Rangel acredita que o julgamento será longo por que envolve não apenas a morte do jornaleiro, mas outros aspectos relacionados a preconceito e racismo. O promotor disse que será de grande importância os depoimentos da cliente da agência, Ana Paula, que “presenciou tudo” e do policial militar Kelisson, que conhecia bem a vítima. “Não foi legítima defesa. O assassino sabia que ele (Jonas) era cliente do banco e tirou a vida do rapaz, sem nenhuma razão, apenas para mostrar quem era autoridade e quem mandava”, afirmou. A advogada Maysa Evangelista, designada pela família, funcionará como assistente da acusação.
Repercussão
O caso do jornaleiro Jonas causou grande repercussão pela circunstância do assassinato. Após ser morto, seu corpo ficou estendido por mais de uma hora até ser retirado na porta da agência. Na mídia, o jornalista Élio Gaspari escreveu coluna na Folha, criticando a omissão e a resistência da direção do Itaú em se oferecer para discutir qualquer tipo de indenização com a família. Também o ator Caio Blat, da Rede Globo, escreveu carta, denunciando a situação de abandono e os sofrimentos da família, especialmente da mãe e do pai de Jonas – o senhor Antonio – que trabalhava como pedreiro para o ator, e que passou a apresentar sintomas de depressão e estresse após a morte do filho. Entidades do Movimento Negro chegaram a paralisar a agência durante um dia em protesto pela morte.
Segundo o promotor Rangel, o julgamento desta quarta e a provável sentença condenatória será emblemática. “A importância da condenação é mostrar a essas pessoas que trabalham na condição do assassino, que tem de ter respeito às pessoas, servir de exemplo à sociedade. Em especial, pelo fato da vítima ser negra. No caso, o vigilante exercia o papel da instituição. É fundamental estabelecer na sociedade um respeito ao outro como um ser igual a nós na sua diferença; a ética da alteridade”, concluiu.

Da Redacao