S. Paulo – Em reunião aberta pelo Secretário do Trabalho, Gilmar Viana, que contou com a participação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir -, Secretaria Especial das Mulheres (órgãos do Governo Federal), e mais do Conselho da Comunidade Negra e Conselho de Participação Feminina (órgãos do Governo do Estado), do Instituto Sindical Latino-Americano para a Igualdade Racial (Inspir) e de dezenas de entidades sindicais, empresariais e do terceiro setor, foi aprovado nesta quinta-feira, o formato do Selo Diversidade Cidade de S. Paulo e a proposta do Pacto para a Valorização e Promoção da Diversidade.
O Selo, uma iniciativa da Secretaria por intermédio da Comissão Intersecretarial de Monitoramento e Gestão da Diversidade, em parceria com a sociedade civil, não será de auditagem nem de certificação, mas de reconhecimento, e poderá ser usado pelo período de um ano, podendo ser renovado a partir da análise do Comitê quadripartite de acompanhamento, integrado por Poder Público, setor empresarial, sindicatos de trabalhadores e entidades do Movimento Negro e de Mulheres.
A proposta da Secretaria é estimular as empresas e a sociedade a enfrentar e superar os graves problemas da discriminação de raça e de gênero, em S. Paulo, usando como estratégia o respeito e a valorização da diversidade. “A diversidade é um importante ativo que deve ser agregado. Com isso, ganham as empresas, ganham os segmentos que sofrem essa discriminação e ganha a sociedade como um todo”, afirmou Gilmar Viana.
O debate mais acirrado aconteceu quando da discussão dos termos do Pacto a ser firmado pelas empresas e organizações públicas e privadas, para terem direito a usar o selo. O presidente da Fersol – empresa de produtos químicos que tem políticas avançadas de valorização da diversidade – Michael Haradon, propôs substituir o termo “igualdade de oportunidades” por ações afirmativas.
O coordenador do Pensamento Nacional das Bases Empresariais, Antonio Carlos Girelli, se opôs, argumentando que as empresas que não adotam ações afirmativas ou que ainda tem restrições a adotá-las poderiam se sentir desestimuladas. Prevaleceu a proposta de que o Pacto tem de ser amplo o bastante para que as empresas e organizações possam aderir livremente, sem a criação de entraves e barreiras à participação.
Também foi decidido por consenso que o Relatório anual a ser avaliado pelo Comitê quadripartite não deve ser público, ficando essa análise restrita aos seus membros que poderão renová-lo ou não, de acordo com o cumprimento do que cada empresa se propôs no diagnóstico feito.
Entre as empresas presentes, além da Fersol, estiveram representantes dos Bancos Itaú, Real e HSBC, que tem políticas de diversidade, bem como a Kodak. Membros da Rede Educafro, da comunidade latino-americana de S. Paulo, da Associação da Anemia Falciforme, do Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, do Dieese, Sebrae, Comissão Municipal dos Direitos Humanos, também estiveram presentes.
A Febraban, através da responsável pela área de Diversidade, Marilene Funari, mandou e-mail justificando ausência por conta da greve dos bancários, mas manifestando apoio a iniciativa. O mesmo ocorreu com a representante da OIT, Ana Cláudia Farranha que desculpou-se pela ausência, porém, reiterou o apoio da Organização ao Selo.
No final também foi aprovada a campanha de comunicação, com a marca do Selo Diversidade que será conferido às empresas que assinarem o Pacto e definida a data de 22 de novembro para o seu lançamento em evento para o qual serão convidadas as ministras Nilcéa Freire, da Mulher, Matilde Ribeiro, da Seppir, o prefeito Gilberto Kassab, e mais os presidentes da Febraban, Fiesp, e os presidentes das Centrais Sindicais e lideranças ligadas aos movimentos negro e de mulheres.
Aprovado o Pacto agora será iniciado o processo de contato com as empresas e organizações buscando sua adesão.

Da Redacao