Um dos mais candentes destes temas, sem dúvida é a questão da juventude brasileira e seu protagonismo hoje no cenário político do país.
Questões como políticas de cotas e ações afirmativas, comunicação, mercado de trabalho, quilombos, violência urbana, saúde, educação, cultura entre tantos outros perpassarão, necessariamente, pela temática juvenil já que são os jovens os principais atores envolvidos nestes e outros debates.
Ignorar, portanto, a existência deste público como ator relevante não é só um erro político grave, como demonstra o quanto as instituições brasileiras precisam ainda se abrir para novos temas e novos públicos. Há que se notar, entretanto, que esta juventude não está paralisada, pelo contrário. Hoje o protagonismo juvenil é uma realidade e os jovens começam a tomar a condução de determinados processos com toda a energia que os caracterizam.
Prova disso tem sido demonstrada com a pujança da cultura urbana que a cada dia se fortalece mais graças à força-motriz desta juventude. São elementos tais como o hip-hop, o funk, o samba (com as novas gerações chegando e assumindo seus lugares nas rodas), com o skate, o basquete de rua, a moda, a linguagem (ela também corporal) entre outras ações que estão aí e não precisam ser pontuadas.
Fato é que falar hoje em cultura urbana é falar em juventude e mais ainda, é falar em juventude negra suburbana, periférica, pobre e, por tudo isso, extremamente criativa, guerreira e ciente de que há um mundo a ser conquistado. São jovens que ora estão nas universidades – via cotas, via Prouni, ou não; que estão na música, na produção, nos esportes e em tantos outros lugares dizendo: “Estamos aqui e queremos nosso espaço!” De modo semelhante são estes jovens que estão de uma forma ou outra dizendo aos mais velhos que há outras formas de operar a política que é hora de “passar o bastão”.
É fundamental, portanto, para a sobrevivência política dos movimentos sociais como um todo e do Movimento Negro em particular, olhar com calma para estes gestos e compreender as mensagens que estão sendo enviadas. Ignorar a presença ou mesmo fechar espaço para os jovens poderá num futuro próximo, não só limitar o surgimento de novas lideranças como, também, envelhecer os próprios movimentos.
Entender que a sabedoria dos mais velhos é mola condutora dos grupamentos humanos é obrigação dos mais jovens, mas cabe também aos mais velhos compreender que os processos de renovação é que propiciam a manutenção dos grupamentos. Que venham as novas lideranças, os novos olhares, nas novas formas de agir e, principalmente, a energia e força necessária para o momento de embate que a cada dia se aproxima.

Marcio Alexandre M. Gualberto