Salvador/BA – Caravanas de vários bairros de Salvador e cidades da Bahia, em especial, de Santo Amaro, Cruz das Almas, Feira de Santana, Conceição de Feira, Ilhéus, Itabuna, Vitória da Conquista, Itacaré, Cachoeira e S. Félix, se juntarão a ativistas soteropolitanos na Marcha Nacional Contra o Genocídio do Povo Negro, que está sendo convocada pela Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária, responsável pela Campanha "Reaja ou será Morta, Reaja ou será Morto". A concentração da Marcha está marcada para as 15h, no Largo dos Aflitos em Salvador.

Marchas com o mesmo tema acontecerão também no Rio, Curitiba, Recife e Belo Horizonte. Ativistas dos movimentos negros e antirracistas dessas cidades passaram a considerar o dia 22 de agosto como Dia de Luta contra o Genocídio do Povo Negro. Em S. Paulo a concentração acontece a partir das 18h, em frente ao Teatro Municipal, na Praça Ramos de Azevedo.

Segundo os organizadores da manifestação em Salvador, o objetivo é denunciar o modelo de segurança pública vigente na Bahia e nos demais Estados do Brasil, "que elege o negro pobre, residente nas periferias como criminoso natural". A proposta é exigir um novo modelo de segurança pública, que priorize investimentos na saúde, educação, moradia, trabalho "e, principalmente, uma Polícia preparada para lidar com cidadãos e não tratá-los como inimigos de guerra a serem combatidos, como ocorre hoje".

Em Salvador, está confirmada a presença do grupo Olodum, Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Mães de Maio, Justiça Global, Anistia Internacional, entre outros grupos e organizações.

Campanha

A Campanha "Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto" organiza-se em defesa da vida, e desenvolve suas atividades desde 2005, em comunidades periféricas e no sistema prisional abordando o tema do racismo, da violência física e psicológica do Estado e a preferência do sistema de justiça criminal na captura de negros e pobres. A "Reaja" é pioneira no debate sobre a desmilitarização da polícia.

Os manifestantes estão denunciando os Governos estaduais do Rio, da Bahia e de S. Paulo que, segundo afirmam, "armam suas Polícias para usar balas de borracha, bombas de gás vencidas, usadas sistematicamente nas desocupações das favelas na defesa da especulação imobiliária".

Lembram ainda o caso do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, que se encontra desaparecido há mais de um mês depois de ser abordado pela Polícia carioca na Unidade Pacificadora da Rocinha. A campanha "Onde está Amarildo?" passou a ecoar em todo o país e repercutiu, inclusive, internacionalmente.

Mapa da Violência

Segundo o Mapa da Violência (2013), o assassinato de negros  subiu de 26.952 para 34.983. O número de homicídios cresceu para para brancos e negros, mas no caso de jovens brancos aumentou 29 vezes, enquanto que para os jovens negros cresceu de 2,0, em 2002, para 89,6, em 2012, aumentando, portanto, 46 vezes. 

 

Da Redacao