S. Paulo – A manifestação de protesto marcada para esta quinta-feira, a partir das 17h, na Avenida Paulista – a sétima que acontece desde o início do mês -, terá a presença organizada de um setor do movimento negro que levará para a rua as bandeiras e reivindicações por inclusão e contra o racismo. A iniciativa é do pastor Luiz de Jesus, da Igreja Batista Boas Novas, da Cidade Ademar, Zona Sul de S. Paulo, que disse ter ficado incomodado com a ausência de negros nas manifestações de protesto que estão ocorrendo em S. Paulo e em todo o país.

Nesta quarta-feira (19/06), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT) recuaram e anunciaram o cancelamento do aumento de R$ 0,20 nas tarifas dos ônibus e do metrô, uma das exigências iniciais do movimento. A manifestação, porém, foi mantida e há uma expectativa sobre se a população manterá a onda de protestos.

“A minha expectativa é que o povo negro saia do discurso e das redes sociais e se manifeste de corpo presente nesse ato contra o genocídio da juventude negra. Embora eu acredite no poder de mobilização que as redes sociais têm, entendo que é hora de colocarmos nossa cara na rua. Nesses manifestos, a corrupção é uma bandeira que todos levantam, porém, as nossas lutas são pontuais, cruéis e duradouras”, afirmou.

Ausência

Ele disse ter estado na manifestação de terça-feira junto com uma irmã e observou a ausência negra. As duas principais entidades com atuação no movimento negro organizado em S. Paulo – a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) -, são ligadas, respectivamente, ao PT e ao PC do B e até o momento se abstiveram de participação  nos protestos.

Para estimular a participação de negros no movimento, Luiz criou um evento nas redes sociais que chamou de “Quinta-feira Preta”. “Depois que criei o evento, várias pessoas começaram a me perguntar, quem é que estava organizando. Acho que chegou o momento, em que a negra e o negro não deve ficar mais como boiada, a espera que alguém o conduza. Chegou a hora de nos movimentarmos por nós mesmos. Mas se alguém tem necessidade de seguir alguém, então que me siga, pois eu estou seguindo a minha consciência de que é preciso reagir. É preciso dizer basta! Ver tudo isso acontecendo com a juventude negra e eu ficar aqui sentado na praça dando milho aos pombos, não dá”, afirma.

Segundo o ativista, a proposta de organizar a presença negra tem como objetivo engrossar a onda de indignação que tomou o país desde a semana passada. “Se todas as negras e todos os negros que reclamam: do genocídio da juventude negra, da ausência de negros nas universidades, da violência contra a mulher negra, do racismo no mercado de trabalho, da discriminação por causa do cabelo, do racismo institucional, do descaso da saúde da população negra, da intolerância religiosa se manifestarem, acredito que teremos a maior concentração de negras e de negros que o nosso país já viu”, acrescentou.

Com a família

Mas, ele destaca que não está preocupado com a quantidade. “Independente do número de pessoas, eu estarei lá com minha família. Eu me represento, enquanto cidadão negro. Não vou ficar esperando que mais um jovem negro seja assassinado, ou que mais um caso de racismo aconteça para que eu me manifeste. O racismo está presente em nosso cotidiano. É hora de caminhar por um objetivo de valor maior”, conclui.

O ponto de encontro da concentração será às 18h, no vão do MASP. De lá eles se misturarão a massa humana que deve tomar hoje a Avenida Paulista na 7ª manifestação de protestos convocada pelo Movimento Passe Livre, mas que já se tornou uma revolta popular contra a corrupção, a péssima qualidade dos serviços públicos (Saúde, Educação, Transporte e Segurança) e contra o próprio o sistema político-eleitoral do país.

 

Da Redacao