Rio – Cerca de 200 pessoas participaram, na tarde desta quinta-feira, de manifestação de protesto pela morte do jornaleiro Jonas Eduardo Santos de Souza, 34 anos. Jonas foi fuzilado pelo segurança Natalício de Souza Marins, na última sexta-feira 22/12, na porta da agência do Itaú da Avenida Rio Branco com Nilo Peçanha, centro do Rio, depois de ser barrado na porta giratória.
A manifestação reuniu lideranças de entidades negras e anti-racistas e foi convocada pelo advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Racial e Ambiental.
Durante o ato familiares do jornaleiro distribuíram uma carta em que reafirmam que Jonas foi executado com um tiro no peito sem nenhuma chance de defesa. Também questionam a postura do gerente que mesmo depois de presenciar a série de constrangimentos e humilhações ainda exigiu a apresentação da prova de que ela era cliente. “Qual a função de um gerente que, ao reconhecer uma pessoa como cliente do banco há 10 anos, não intervém para diminuir seu constrangimento e, talvez, evitar o pior?”, perguntam Magna, Josias e Fernando, irmãos do jornaleiro morto.
Também questionam a responsabilidade do Itaú, inclusive o fato de o banco não ter afastado o assassino, mesmo os responsáveis pela agência tendo conhecimento de que se tratava de pessoa truculenta que já se envolvera em outras discussões com clientes. Os familiares exigem na carta a prisão imediata do assassino, que sequer chegou a ser preso e aguarda julgamento em liberdade. “Não iremos descansar enquanto todos os responsáveis não forem julgados e condenados”, concluem.
Também foi lido durante o ato texto de Abdias Nascimento, líder de maior prestígio do Movimento Negro brasileiro e ex-senador da República e, por sua mulher, a historiadora Elisa Larkin.
Nenhuma pessoa do banco apareceu para receber os manifestantes e, no final, ficou decidido uma reunião no próximo dia 03 de janeiro no Sindicato dos Bancários do Rio. Na reunião será discutida a proposta de promover a paralisação da agência no 30º dia da morte de Jonas – dia 22 de janeiro.
Segundo Adami, foram registradas durante a manifestação vários casos de constrangimentos ocorridos diariamente nas portas do Itaú e em agências de outros bancos que funcionam com portas giratórias.
Entre as entidades presentes estiveram representantes da Associação dos Advogados do Banco do Brasil, a Associação de Pesquisa da Cultura Afro-Brasileira, o Centro de Apoio às Populações Marginalizadas, o Centro de Estudos de Divulgação das Culturas Negras, o Círculo Olimpyo Marques, o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro do Rio, o Espaço Memória Lélia Gonzalez, o Sindicato dos Bancários, o Sindiprev, a Federação Nacional de Advogados, a União Cultural Pró-Desenvolvimento Jacarelândia e o Instituto Palmares de Direitos Humanos. Também estiveram presentes a deputada estadual Jurema Batista e o deputado federal Edson Santos, ambos do PT do Rio.

Da Redacao